11 de setembro de 2003
A Ética estóica
(…)
“1.4.2.6 A Ética estóica
A virtude é o supremo bem dessa ética idealista. E viver virtuosamente é viver de acordo com a natureza. Não a natureza biológica, mas a natureza concebida pela razão.
O homem é provido de razão, mas também existe a patologia humana. Esta exterioriza por inclinações e afetos, dos quais é necessário libertar-se. Libertar-se das afeições é um dos ideais estóicos. Através de vínculos afetivos, o homem escraviza-se. Deve desligar-se das coisas do mundo exterior, apagando-as até atingir a apatia.
O prazer deve ser evitado, pois pertence às afeições. É um adereço falso, como dizia Cleantes. A virtude é autárquica. Em que consiste a autarquia da virtude? A virtude é auto-suficiente. Basta-se a si mesma. O verdadeiro sábio nela encontra defesa para as angústias do mundo exterior e dela extrai sua força.
A virtude é única - nisso fundam-se em Sócrates -, e entre a virtude, bem único, e o vício, único mal, não há meio-termo. Tudo o mais vem a ser eticamente indiferente - adiaforas. Este rigorismo foi temperado pelos discípulos de Zenão, ao distinguir entre bens desejáveis e bens condenáveis. Mas ostenta valor enquanto estimula a prática da virtude. O censurável, ou condenável, não se confunde com o mal, mas representa empecilho ao exercício da atividade virtuosa.”
(…)
(NALINI, José Renato. Ética geral e profissional.)