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Sábado, 12 de Setembro de 2009
Entrevista para a reportagem sobre o sistema de cotas racistas

A entrevista que fiz abaixo serviu para a jornalista do Portal3 escrever esta reportagem.

Quais os motivos para o teu posicionamento contrário às cotas raciais?

R: O motivo é único e elementar: é uma medida que discrimina cidadãos unicamente por sua origem étnica, concedendo privilégios especiais a um grupo da população apenas usando como critério a duvidosa classificação de “raça”. Perceba que, ao contrário do que afirma a retórica dos que defendem esta política, ela própria é evidentemente discriminatória e racista.

Tu acreditas que a questão é social e não racial?

R: Nem uma coisa, nem outra.

Tu achas que a política de cotas raciais é um reflexo do ensino precário no Brasil?

R: Não. A política de cotas raciais — ou numa linguagem mais esclarecida, cotas racistas — é uma idéia de autores marxistas importada de outros países, onde as reais intenções estão longe de serem boas. Para estes ideólogos, a política de cotas racistas é um instrumento para gerar conflitos entre classes, criar desorganização na sociedade; realizar, nas palavras deles, uma “revolução passiva”, e conceder mais poder a uma casta ínfima e privilegiada de políticos. Para alguns isso pode parecer surpreendente, mas toda a questão se resume a isto: mais poder.

Tu consideras a medida uma “solução” imediata para um problema de desigualdade social e racial, que possui raízes bem mais profundas?

R: Não. Vale a mesma justificativa à pergunta acima.

O sistema de cotas é “injusto” com aqueles que se preparam para o vestibular e podem vir a perder a vaga para um cotista?

R: O sistema de cotas é uma injustiça por si só. Reservar uma cota de vagas à um grupo de pessoas por causa de uma característica física é dar vantagens a este grupo e desvantagens aos que estão excluídos dele. Como o princípio da Justiça é “dar a cada um aquilo que lhe é devido” e isto se refere a méritos individuais, a política do sistema de cotas gera um desequilíbrio, e, portanto, fere este princípio fundamental. O estado, cuja função deveria garantir este princípio servindo a todos os cidadãos de maneira igualitária, acaba preferindo servir mais a uns do que a outros, discriminatoriamente. Tenta-se corrigir injustiças cometidas no passado cometendo novas injustiças. O efeito disto é contrário ao supostamente esperado: mais cedo ou mais tarde gera mais caos e miséria numa sociedade.

[ Portal3: Brasil das cotas ]

[ postado às 02:09:34 ] - [ comente isto ]

Sábado, 5 de Setembro de 2009
Ateísmo militante, imaturidade intelectual

“[…] A história do ateísmo militante é uma sucessão prodigiosa de intrujices. É que o ateísmo, em geral, é uma opção de juventude, prévia a qualquer consideração racional do assunto, e uma vez tomada não lhe resta senão racionalizar-se a posteriori mediante artifícios que serão mais ou menos engenhosos conforme  a aptidão e a demanda pessoal de argumentos. Não se conhece um único caso célebre de pensador que tenha chegado ao ateísmo na idade madura, por força de profundas reflexões e por motivos intelectuais relevantes. Ademais, toda fé religiosa coexiste, quase que por definição, com as dúvidas e as crises, ao passo que o ateísmo militante tem sempre a típica rigidez cega das crenças de adolescente. O ateísmo militante é, por si, um grave sinal de imaturidade intelectual.”

(de CARVALHO, Olavo; O Jardim das Aflições; trecho da nota de rodapé do capítulo V: “A índole do epicurismo”)

[ postado às 21:09:04 ] - [ comente isto ]


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