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Terça-feira, 27 de Novembro de 2007
Segunda-feira, 26 de Novembro de 2007
Resultado do teste de política: “Forte Republicano”
“Você demonstra um senso de certo e errado muito bem desenvolvido e acredita na justiça econômica.”
Lógico que não era necessário teste algum para eu saber disso. E se no template aparecesse o gráfico com pessoas famosas que eu vi no resultado, vocês veriam que ele deu sobre o rosto do Ronald Reagan, o melhor presidente dos Estados Unidos dos últimos tempos!
Domingo, 25 de Novembro de 2007
O Capitalismo (II)
Capitalismo gera pobreza?
[…] O típico crítico do Capitalismo, e aí se inclui a maioria dos políticos, economistas, jornalistas e intelectuais brasileiros, condena o “sistema capitalista” por “forçar” pessoas a viver em condições indesejáveis. […]
[…] O Capitalismo não é um sistema econômico, nem força alguém a qualquer coisa. Capitalismo é exatamente o contrário - é a organização econômica que resulta naturalmente das livres escolhas das pessoas quando ninguém pode forçar o próximo a nada.
Vale reiterar esta verdade. O Capitalismo não é um sistema que força as pessoas a fazerem algo. É exatamente o contrário. Capitalismo é o resultado prático na vida das pessoas quando os direitos individuais à vida, liberdade e propriedade são assegurados.
Quem então é o grande vilão, que força as pessoas a trabalhar por salários baixos, a sofrer para conseguir pagar as contas, quem é culpado pela miséria? Se não se pode culpar “o sistema”, quem culpar? Há duas grandes vilãs. [ As vilãs são: a realidade e a violação dos direitos individuais ] […]
A primeira e mais terrível “vilã” é a própria natureza. É um fato da natureza que seres humanos têm necessidades materiais para a sobrevivência. Precisamos comer, precisamos de abrigo e de milhares de outras coisas. Isso não é culpa de ninguém.
Também é um fato da natureza que estas necessidades humanas não são saciadas automaticamente. Não existe na natureza alimento pronto, nem abrigo pronto. A natureza não dá nada ao homem sem esforço. Isto também não é culpa de ninguém.
O típico crítico do Capitalismo culpa pessoas pelas necessidades de outras pessoas. […] Pessoas não passam fome porque outras estão comendo demais, passam fome porque elas estão comendo de menos - e uma coisa não tem absolutamente nada a ver com a outra.
Esta visão vem da idéia equivocada de que a natureza dá ao homem uma certa quantidade fixa de materiais úteis à vida, riqueza, e que essa quantidade, portanto, deveria ser dividida igualmente entre todos.
Mas a natureza não dá absolutamente nada ao homem. Toda a riqueza que existe foi produzida. E se foi produzida, isso foi feito por alguém. […]
Outro erro comum, que leva à idéia de que precisamos “dividir” o que a natureza nos “dá”, é a de que existe uma quantidade limitada de riqueza. O crítico reconhece que tudo precisa ser produzido, mas afirma que os recursos naturais são limitados. […]
O recurso natural é praticamente infinito. O esforço humano é limitado. […]
O planeta Terra é uma enorme e maciça esfera de puros recursos naturais. O Universo é constituído de recursos naturais. O que é realmente limitado é a nossa capacidade de transformar estes recursos, praticamente infinitos, em riqueza. E isto só se faz através do trabalho de cada um.
Quando se protegem os direitos individuais, garantido a todas as pessoas a inviolabilidade de sua vida, propriedade e liberdade, elas reconhecem este fato - mesmo que não explicitamente.
O indivíduo pode constatar diretamente que suas necessidades não se resolvem sozinhas. Não cai pão do céu nem aparece roupa e abrigo por mágica. Quando os direitos individuais são protegidos, ele também percebe que não poderá sobreviver tirando as coisas de outros.
Nesta situação sobram apenas duas alternativas: produzir aquilo que deseja ter ou produzir algo que outros desejam ter, e trocar por aquilo que ele deseja. Isto é Capitalismo.
Os direitos individuais são a implementação política da natureza do homem, um ser independente e racional. Não é surpreendente que ao proteger os direitos individuais, resulta uma organização econômica que reflete a natureza - onde toda riqueza tem de ser produzida. […]
[ Sobre a violação dos direitos individuais ] Os direitos individuais são interdependentes. Não é possível garantir o direito à vida sem garantir a propriedade e a liberdade. Não é possível garantir a propriedade sem a vida e liberdade. Não há liberdade sem vida e propriedade. […]
Não garantir o direito absoluto à propriedade significa não reconhecer o direito de quem produz algo a usar aquilo da forma como bem entender. Significa não reconhecer que aquela riqueza só existe como resultado da ação daquele indivíduo - que se ele não existisse ou não escolhesse agir produtivamente, não existiria aquela riqueza.
Quando este princípio político é colocado em prática, o resultado é uma organização econômica onde a produção não é mais o único caminho para se obter riqueza. Pode-se produzir, ou tomar de outro.
A natureza, no entanto, permanece inalterada. Continua não fazendo chover riqueza sem esforço. Tudo o que existe e é útil ao homem ainda precisa ser produzido - através do esforço humano.
O resultado prático, portanto, é que passa a haver dois tipos de pessoa. Os produtores e os parasitas. Mas produzir demanda esforço, portanto é natural que muitos tentem viver às custas de outros - se houver esta possibilidade.
Quando não se reconhece o direito à propriedade, cada indivíduo precisa escolher se quer ser um produtor ou um parasita. Nestas condições, esta escolha também significa escolher entre ser um trouxa (que trabalha para sustentar os outros) ou um ladrão (que vive de tirar à força o resultado do esforço alheio).
O socialismo nada mais é do que a sistematização, através do governo, deste princípio.
Introduzir o governo como intermediário alivia a consciência dos parasitas ladrões, ocultando o fato que a riqueza que recebem do governo é produto de roubo. O socialismo também dificulta a rebelião dos trouxas, pois seu inimigo é nada menos que a organização que detém o monopólio legal do uso da força.
Como os fatos da natureza não mudam, é óbvio que este sistema irracional não funciona - nem pode funcionar. O socialismo não é uma boa idéia mal executada, é uma péssima idéia. É uma idéia maligna.
Como ninguém quer ser otário, sob o socialismo as pessoas tendem trabalhar cada vez menos, e parasitar cada vez mais, muitas vezes sem perceber que é isto que estão fazendo. Quanto mais integralmente for implementado o ideal socialista, mais isto ocorre. No fim a vida se torna um jogo onde todos tentam viver às custas dos outros - e ninguém mais produz nada exceto sob ameaça.
É por isso que em todos os países em que foi aplicado, o socialismo levou à miséria. A ruína da União Soviética era inevitável - e só não foi mais rápida porque durante toda sua história ela recebeu uma fortuna em ajuda do ocidente.
Também se pode ver isto hoje. No Brasil o parasitismo já é o modo de vida explícito de um quarto da população - através do Bolsa Família. As pessoas evitam se empregar para não perder o “direito” de receber o dinheiro dos outros.
Outro sintoma é que o emprego “público” se torna o objetivo de grande parte da população, seus atrativos são a renda alta e a estabilidade. Ganhar mais do que seu trabalho vale e ter a segurança de não depender mais da própria capacidade produtiva. […]
Quando os direitos individuais não são assegurados, as pessoas passam a se preocupar em como se aproveitar dos outros ou como evitar que outros se aproveitem de si. A produção fica em segundo plano - e o total de riqueza produzida diminui. [ Isto é: a miséria aumenta. ] […]
O Capitalismo, portanto, é o resultado econômico do sistema político de direitos individuais.
É a única organização econômica justa, onde cada um beneficia do seu próprio esforço; É a única organização econômica que reflete a realidade - pois toda riqueza é produzida por alguém; É a única organização econômica que não joga um indivíduo contra o outro, não há mestres e escravos nem produtores e parasitas.
No capitalismo todos são produtores, e cada um é mestre de si.
[ Excertos de artigo copiado com a devida permissão do blógue O Capitalista. Quem gostou deve procurar ler o artigo na íntegra na fonte original. Fonte do original: http://ocapitalista.blogspot.com/2007/11/capitalismo-gera-pobreza.html ]
Post relacionado: O Capitalismo (I)
O Capitalismo (I)
Nota do autor deste blógue: O que é o “sistema” capitalista? É ele o culpado pela pobreza? Ele gera injustiça e desigualdade na sociedade? A série de excertos de artigos a seguir (neste e em posts subseqüentes) esclarecem estas e mais outras questões. São uma compilação da essência dos últimos artigos publicados no blógue O Capitalista. Quem realmente se interessar, tem o dever de ler os artigos completos, para uma melhor compreensão do assunto. Os links estão logo a seguir. [Fim da nota]
…
O mito do “sistema capitalista”
[…] A legitimidade de um governo depende de sua aderência a esta função. Qualquer ação governamental que não seja a defesa de direitos individuais necessariamente viola os direitos individuais, e o governo passa a ser o problema e não a solução. […]
O direito à vida é o direito de não ser morto, não é o direito de ter sua vida sustentada pelos outros. O direito à propriedade é o direito a fazer o que bem entender com o resultado do seu trabalho, não é o direito a receber propriedade sem esforço. O direito à liberdade é o direito a não ser impedido de agir, não é o direito a exigir que outros lhe ajudem. […]
Qual é o resultado para o indivíduo quando estes direitos são protegidos pelo governo?
Quanto à sua vida, ele tem a segurança de que ela não lhe será tirada nem ameaçada por outros. A defesa do direito à vida é a garantia da segurança pessoal do cidadão contra a ameaça por outros. […]
Quanto à sua propriedade, o indivíduo tem a garantia de que outros não a tomarão contra sua vontade (e “outros” inclui o próprio governo, o financiamento de um governo legítimo tem de ser voluntário). Não existe qualquer garantia de que ele efetivamente terá propriedade, mas apenas de que tudo o que produzir […] será seu. […]
Quanto à sua liberdade, uma vez garantida sua integridade física e a integridade de sua propriedade, não há meios de tirar a liberdade do cidadão. Como forçar alguém a fazer algo que não quer sem ameaçá-lo? A liberdade é conseqüência da defesa da pessoa e da propriedade.
Esta é a visão das defesas que o indivíduo recebe por parte do governo legítimo. […]
Dada a defesa da vida, o cidadão não pode agredir nem ameaçar a integridade física de outros. […]
Dada a defesa da propriedade, o cidadão não pode tomar, ameaçar nem exigir aquilo que não lhe pertence. […]
Defendidas a vida e a propriedade do cidadão, ele é livre para fazer qualquer coisa que queira - consigo mesmo e com aquilo que é seu. Para fazer qualquer coisa que afete outra pessoa ou a propriedade da outra pessoa, terá de obter sua permissão. […]
A vida sob um governo legítimo, o que significa um governo que defenda os direitos individuais, é uma vida em que se está livre da ameaça dos outros, mas se está inteiramente responsável pela própria vida. […]
Se alguém quer ter propriedade, terá de produzi-la. Se não é capaz de produzir aquilo que quer, terá de produzir algo que os outros queiram - para poder trocar por aquilo que deseja. […]
O Capitalismo, o “sistema” onde as pessoas são donas daquilo que produzem e o trocam por comum acordo, não é sistema nenhum. O Capitalismo é simplesmente o que acontece naturalmente quando as pessoas estão livres de ameaças contra seus direitos. […]
O “sistema capitalista” é, portanto, um mito. Não existe ninguém “organizando” as coisas no Capitalismo. Não existe ninguém determinando quem deve fazer o que. Não existe “sistema” exceto a proteção dos direitos individuais - e isto é um sistema político, e não um sistema econômico. […]
Não existem “classes” no Capitalismo porque não há sistema no Capitalismo. Existem ricos e pobres da mesma forma que existem pessoas bonitas e feias, inteligentes e burras, empenhadas e folgadas. Cada um produz de acordo com sua capacidade - e para seu próprio proveito. A “desigualdade” é parte da natureza humana. […]
O Capitalismo não é um sistema econômico. É a conseqüência econômica de um sistema político. O sistema político dos direitos individuais. Quem é contra o Capitalismo é contra estes direitos - não existe meio termo.
[ Excertos de artigo copiado com a devida permissão do blógue O Capitalista. Fonte do original: http://ocapitalista.blogspot.com/2007/11/o-mito-do-sistema-capitalista.html ]
Quinta-feira, 22 de Novembro de 2007
O emprego metafórico da terminologia política
Nota do autor deste blógue: A mentalidade que predomina esmagadoramente no Brasil — isto é, a mentalidade do brasileiro-médio, incluindo os pseudo-intelectuais (a “inteligentzia”) e os universitários — é a mentalidade anticapitalista. É aquela que trata todo empresário como criminoso, como um “explorador” a priori. Basta um exame rigoroso e atento nos jornais, nas telenovelas e filmes, e descobrimos o porquê: somos bombardeados por “cultura” marxista em tempo integral.
O artigo a seguir, com destaques por minha conta, é uma “pílula” do sábio economista austríaco Ludwig von Mises (1881 - 1973). Fala de como o uso de uma linguagem, a princípio metafórica, pode muito bem influenciar a mentalidade das pessoas. É o que realmente acontece hoje em dia. Não é a toa que, por exemplo, uma grande empresa de softwares de qualidade e bem-sucedida é acusada “forçar” seus usuários a fazerem coisas que não querem, como se ela tivesse poderes de influenciar os consumidores através do uso de força, ameaças e coação. Quem pensa isso não percebe que é vítima da própria ignorância e da perfídia alheia. Numa relação comercial legítima de livre mercado, ninguém é obrigado a trocar seu dinheiro por produtos e vice-versa. As trocas se dão voluntariamente. [Fim da nota].
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O emprego metafórico da terminologia política

As ordens dadas pelos empresários na condução de seus negócios são audíveis e visíveis. Ninguém pode desconhecê-las. Até o office-boy sabe quem manda e quem dirige a empresa. Mas perceber a dependência do empresário, numa situação de mercado, requer um pouco mais de perspicácia. As ordens dadas pelos consumidores não são tangíveis, não podem ser percebidas pelos sentidos. A muitas pessoas falta o discernimento necessário para percebê-las: incorrem, assim, no erro de achar que empresários e capitalistas são autocratas irresponsáveis que não precisam dar conta de seus atos a ninguém.
Uma conseqüência dessa mentalidade é a pratica de aplicar, ao mundo dos negócios, a terminologia do poder político ou da ação militar. Empresários bem sucedidos são chamados de reis ou duques, suas empresas são consideradas impérios, reinados ou ducados. Não haveria necessidade de criticar essa linguagem se estivéssemos diante de meras metáforas inofensivas. Mas estamos diante de erros graves que representam um papel nefasto nas doutrinas contemporâneas.
O governo é um aparato de compulsão e coerção. Tem o poder de se fazer obedecer pela força. O soberano político, seja ele um autocrata ou um representante do povo, tem o poder de esmagar rebeliões enquanto subsistir o seu poder ideológico.
A posição que os empresários e os capitalistas ocupam na economia de mercado é de outra natureza. Um “rei do chocolate” não tem poderes sobre os consumidores, seus clientes. Limita-se a fornecer-lhes chocolate da melhor qualidade e pelo menor preço. Não comanda os consumidores, serve-os. Os consumidores não têm nenhuma obrigação de comprar nas suas lojas, e ele perde seu “reinado” se os consumidores preferirem gastar os seus centavos em algum outro lugar. Também não comanda seus empregados. Contrata seus serviços, pagando-lhes exatamente aquele valor que os consumidores estão dispostos a lhe restituir ao comprar o seu produto.
Menor ainda é o poder político exercido pelos capitalistas e empresários. As nações civilizadas da Europa e América foram durante muito tempo controladas por governos que não prejudicavam significativamente o funcionamento da economia de mercado. Hoje, esses países também estão dominados por partidos que são hostis ao capitalismo e que acreditam que todo dano causado aos capitalistas e empresários é extremamente benéfico para o povo.
Numa economia de mercado que funcione sem entraves, os capitalistas e empresários não podem esperar vantagens pela corrupção de funcionários políticos. Por outro lado, os funcionários e os políticos não têm condições de fazer chantagem e de extorquir suborno dos homens de negócios. Num país intervencionista, grupos de pressão poderosos se empenham em obter para os seus membros privilégios à custas de indivíduos e grupos mais fracos. Em tal ambiente, os homens de negócio podem considerar conveniente usar a corrupção para se protegerem de atos discriminatórios por parte de membros do poder executivo ou do poder legislativo; uma vez habituados a esses métodos, podem tentar empregá-los para obter privilégios para si mesmos. De qualquer forma, o fato de que os homens de negócio subornem políticos e funcionários, e de que sejam por eles chantageados, não significa dizer que são soberanos e que dirigem os países. São governados - e não governantes - que compram os favores e pagam um tributo.
A maioria dos homens de negocio se abstém de recorrer à corrupção, seja por convicção moral, seja por medo. Tentam preservar o sistema da livre iniciativa e procuram defender-se da discriminação usando métodos democráticos legítimos. Formam associações comerciais e tentam influenciar a opinião pública. Os resultados dessas tentativas são bastante limitados, como se constata pelo avanço triunfante das políticas anticapitalistas. O máximo que têm conseguido é adiar por algum tempo algumas medidas especialmente nefastas.
Os demagogos deformam esse estado de coisas da maneira mais grosseira. Eles nos dizem que são essas associações de banqueiros e industriais que governam o país e que dominam o aparato que é chamado de governo “plutodemocrático”. Uma simples enumeração das leis promulgadas nas últimas décadas pelo legislativo de qualquer país é suficiente para mostrar a inconsistência desses mitos.
» Ludwig von Mises, O Mercado, p. 43/45. Este livro trata-se do capítulo XV (The Metaphorical Employment of the Terminology of Political Rule) do livro Ação Humana.
[ Artigo copiado com a devida permissão do blógue Ação Humana. Fonte do original: http://acao-humana.blogspot.com/2007/11/o-emprego-metafrico-da-terminologia.html ]
Posts relacionados: Estado, Direito e opressão. , O Inimigo do Estado, Monopólios (II), Anticapitalismo é para perdedores.
Quarta-feira, 21 de Novembro de 2007
Estado, Direito e opressão.
Seção I
O direito natural, a justiça natural, sendo um princípio que é naturalmente aplicável e adequado à resolução legítima de toda possível controvérsia que possa surgir entre os homens; sendo também o único padrão pelo qual qualquer controvérsia entre homens pode ser legitimamente resolvida; sendo um princípio cuja proteção todo homem exige para si mesmo, estando disposto ou não a acordá-lo com os outros; sendo também um princípio imutável, um que é sempre e em todo lugar o mesmo, em todas as eras e nações; sendo auto-evidente e necessário em todas as eras e lugares; sendo tão inteiramente imparcial e eqüitativo em relação a todos; tão indispensável à paz da humanidade em todo lugar; tão vital à segurança e ao bem-estar de todo ser humano; sendo, também, tão facilmente aprendido, tão geralmente conhecido e tão facilmente mantido por associações voluntárias que todos os homens podem pronta e legitimamente formar para esse propósito - sendo um princípio como esse, essas questões surgem, a saber: Por que é que ele não prevalece universalmente ou quase universalmente? Por que ele não foi, eras atrás, estabelecido ao redor do mundo como a única lei que qualquer homem, ou que todos os homens, poderiam ser legitimamente compelidos a obedecer? Por que é que algum ser humano concebeu que algo tão evidentemente supérfluo, falso, absurdo e atroz como toda a legislação deve necessariamente ser pudesse ter alguma utilidade à humanidade ou ter qualquer lugar nas relações humanas?
Seção II
A resposta é que, através de todas as eras históricas, onde quer que quaisquer pessoas tenham avançado além do estágio selvagem e aprendido a aumentar seus meios de subsistência pela cultivação do solo, um número maior ou menor delas se associou e se organizou como saqueadores, para roubar e escravizar todas as outras que haviam acumulado alguma propriedade que pudesse ser tomada ou que tivessem mostrado, através do trabalho, que eles poderiam contribuir para o suporte ou prazer daqueles que os escravizariam.
Esses bandos de saqueadores, em baixo número no começo, aumentaram seu poder unindo-se uns com os outros, inventando armas de guerra, disciplinando-se, aperfeiçoando suas organizações como forças militares e dividindo seus saques (incluindo seus cativos) entre si mesmos, em proporção anteriormente acordada ou como seus líderes (sempre desejosos de aumentar seus seguidores) ordenassem.
O sucesso desses bandos de saqueadores foi fácil, pelo fato de que aqueles que eram saqueados e escravizados não tinham proteção; estavam fragmentados sobre a terra; empenhados totalmente, por implementos rudes e trabalho pesado, em retirar do solo seus sustentos; não tinham armas de guerra além de paus e pedras; não tinham disciplina militar ou organização e nenhum meio de concentrar suas forças ou agir em concerto, quando atacados de repente. Sob essas circunstâncias, a única alternativa que restava a eles para salvar suas vidas ou as vidas de suas famílias não era somente entregar suas colheitas e as terras que haviam cultivado, mas entregarem a si mesmos e suas famílias como escravos.
Daí em diante seus destinos foram, como escravos, cultivar para os outros as terras que haviam anteriormente cultivado para si mesmos. Levados constantemente ao trabalho, a riqueza lentamente cresceu, mas toda ela foi para as mãos dos tiranos.Esses tiranos, vivendo somente pelo saque e pelo trabalho de seus escravos, e aplicando todas as suas energias na obtenção de ainda mais saque e na escravização de outras pessoas indefesas; aumentando, também, em quantidade, aperfeiçoando suas organizações e multiplicando suas armas de guerra, eles estenderam suas conquistas até quando, para manter o que eles já haviam conquistado, se tornou necessário para eles agir sistematicamente e cooperar uns com os outros para manter seus escravos em sujeição. Porém, tudo isso eles poderiam apenas fazer estabelecendo o que chamaram de governo e fazendo o que eles chamaram de leis.
Todos os grandes governos do mundo - tanto aqueles que ora existem quanto os que desapareceram - tiveram essa característica. Eles foram meros bandos de saqueadores, que se associaram com o propósito de saquear, conquistar e escravizar os outros homens. E suas leis, como eles as chamaram, foram apenas acordos em que eles consideraram conveniente entrar para manter suas organizações e agir juntos no saque e na escravização dos outros, e para assegurar a cada um sua parte acordada dos espólios.
Todas essas leis não tinham mais obrigatoriedade do que têm os acordos nos quais os salteadores, bandidos e piratas consideram necessário entrar com os outros para serem melhor sucedidos em seus crimes e dividirem mais pacificamente seus espólios.Assim, substancialmente, toda a legislação do mundo teve sua origem nos desejos de uma classe - a das pessoas que saqueavam e escravizavam as outras, e as mantinham como propriedade.
Seção III
No curso do tempo, a classe saqueadora ou detentora de escravos - que roubou todas as terras e controlava todos os meios de criar riqueza - começou a descobrir que o modo mais fácil de controlar seus escravos e os tornar lucrativos não era cada um dos donos de escravos mantendo seu número especificado de escravos, como eles haviam feito até então e como eles manteriam tantos rebanhos, mas dá-los tanta liberdade quanto fosse necessária para jogar sobre eles a responsabilidade por suas próprias subsistências e ainda compeli-los a vender seus trabalhos à classe detentora de terras - seus prévios donos - pelo que os últimos escolhessem dar a eles.É claro, esses escravos liberados, como alguns erroneamente os chamaram, não tendo terras ou outras propriedades e nenhum meio de obter uma subsistência independente não tinham nenhuma alternativa - para se salvarem da fome - além de vender seus trabalhos aos donos de terras em troca de apenas as mais rudes necessidades da vida; e nem sempre tanto quanto isso.
Esses escravos liberados, como eram chamados, agora não eram menos escravos do que antes. Seus meios de subsistência eram talvez até mais precários do que quando cada um tinha seu próprio dono, o qual tinha o interesse de preservar sua vida. Eles eram responsabilizados, pelo capricho ou interesse dos donos de terras, por serem jogados fora de casa, do emprego e por serem privados da oportunidade de até mesmo ganhar a própria subsistência pelo trabalho. Eles eram, portanto, em grande número, levados à esmolar, roubar ou morrer de fome; e se tornaram, é claro, perigosos à propriedade e à tranqüilidade dos novos mestres.
A conseqüência foi que esses novos mestres acharam necessário, para suas próprias seguranças e para a proteção de suas propriedades, organizarem-se mais perfeitamente como um governo e assim fazer leis para manter essas pessoas perigosas em sujeição; isto é, leis fixando os preços pelo qual eles seriam compelidos a trabalhar e também prescrevendo temíveis punições, até mesmo a morte, por roubos e invasões que eram levados a cometer, como únicos meios de salvarem-se da fome.Essas leis continuaram em vigor por centenas e, em alguns países, por milhares de anos; e estão em vigor hoje em dia, em maior ou menor grau, em todos os países do mundo.
O propósito e efeito dessas leis foi o de manter, nas mãos da classe saqueadora, ou dona de escravos, um monopólio de todas as terras e, tanto quanto possível, todos os outros meios de criar riqueza; e assim manter a grande massa de trabalhadores em tal estado de pobreza e dependência que os compeliria a vender o trabalho deles para os tiranos pelos preços mais baixos com os quais a vida podia se sustentar.O resultado de tudo isso é que a pouca riqueza que há no mundo está nas mãos de uns poucos - isto é, nas mãos da classe legisladora, dona de escravos; eles que são agora tão donos de escravos em espírito quanto sempre foram, mas que alcançam seus propósitos por meio das leis que fazem para manter os trabalhadores em sujeição e dependência, em vez de cada um manter seus escravos individuais, como tantas propriedades.Assim, o negócio da legislação, que agora tem gigantes proporções, teve sua origem nas conspirações, as quais sempre existiram entre os poucos, para o propósito de manter os muitos em sujeição e para extorquir deles seus trabalhos e todos os lucros deles.
Os motivos reais e o espírito que estão na base de toda legislação - apesar de todas as pretensões e disfarces pelos quais elas tentam se esconder - são os mesmos hoje como foram sempre. O maior propósito dessa legislação é simplesmente manter uma classe de homens em subordinação e servidão a outra.
Seção IV
O que, então, é a legislação? É a presunção de um homem ou grupo de homens de domínio absoluto e irresponsável sobre todos os outros homens que eles dizem estar sujeitos a seus poderes. É a presunção de um homem ou grupo de homens do direito de sujeitar todos os homens às suas vontades e aos seus serviços. É a presunção de um homem ou grupo de homens de um direito de abolir totalmente todos os direitos naturais, toda a liberdade natural dos outros homens; de fazer todos os homens seus escravos; de ditar arbitrariamente a todos os outros homens o que eles podem ou não fazer; o que eles podem e não podem ter; o que eles podem e não podem ser.
É, em suma, a presunção de um direito de banir o princípio dos direitos humanos, o princípio da própria justiça, da face da terra e estabelecer suas vontades, prazeres e interesses pessoais em seu lugar. Tudo isso, e nada menos, está envolvido na própria idéia de que pode existir algo como uma legislação humana e de que ela é obrigatória para todos sobre as quais ela é imposta.
» Lysander Spooner, Direito Natural, ou a Ciência da Justiça.
[ Artigo copiado com a devida permissão do blógue Ação Humana. Fonte do original: http://acao-humana.blogspot.com/2007/11/estado-direito-e-opresso.html ]
Domingo, 11 de Novembro de 2007
Outra propaganda do Zune v2
[ se não estiver vendo o vídeo acima, clique aqui ]
Lançamento oficial no dia 13/11/2007 [ Zune.net ]
Post relacionado: Propaganda do Zune v2.
Sábado, 10 de Novembro de 2007
As vítimas de Che Guevara
A Young America’s Foundation criou o pôster de Che Guevara que gostaríamos de ver. É a mesma velha e infame foto do assassino terrorista feita por Alberto Korda, montada a partir de fotografias menores das vítimas que perderam suas vidas pela sua causa socialista.
A fundação imprimiu dez mil destes pôsteres em comemoração à Semana da Liberdade, que celebra a queda do Muro de Berlim em 9 de Novembro de 1989.
 clique na figura para uma versão maior em PDF
Dizeres do pôster traduzidos para português: “Che Guevara era um terrorista internacional e um genocida. Durante as suas viciosas campanhas para impor o comunismo em vários países pela América Latina, Che Guevara treinou e motivou os pelotões de fuzilamento de Fidel que executaram milhares de homens, mulheres e crianças.
Todos os indivíduos usados nesta fotomontagem foram mortos por Che e o regime cubano, revelando a verdade da sua hipocrisia assassina e cruel e reconhecendo suas incontáveis vítimas — conhecidas e desconhecidas.”
(Fonte: Babalu Blog: The victims of Che Guevara)
*** Enquanto isso, nas paredes de uma certa universidade particular do sul do Brasil…

!!! FESTA !!! Quarenta anos da morte de Che Guevara Lá no matinho atrás do DCE, no dia 24/10/07, quarta-feira, a função começa às 9 da noite. D.A. de Serviço Social D.A. de História D.A. de Filosofia D.A. de Ciências Sociais D.A. de Comunicação Social DCE - Gestão: Sacudindo a Poeira
O que foi a “função” que rolou no “matinho atrás do DCE” nesse dia fica por conta da tua imaginação.
Posts relacionados: Capa da Veja da semana (03.10.2007), Camisetas que gostaríamos de encontrar nos camelôs da Praça da Alfândega.
Quinta-feira, 8 de Novembro de 2007
Reedições duplas de Kubrick
Três belas reedições de DVDs de filmes do diretor Stanley Kubrick serão lançadas amanhã (12/11/2007).



Todos são DVDs duplos, com umas capas bem mais caprichadas do que as edições anteriores. Vou torcer para que façam o mesmo com o “Full Metal Jacket“!
Roqueiros conservadores
A esquerda praticamente detem o “monopólio” de toda a classe “artística” (ou artística, como preferir, embora eu particularmente prefiro a primeira). No gênero rock, então, nem se fala. O que mais se ouve são discursos anticapitalistas, muito embora isso seja a maior hipocrisia que existe nessa área. É a típica revolta contra a própria natureza dos “guris de apartamento”, que ficam tentando bolar a todo custo e com todas as forças algum subterfúgio para aliviar a contradição e a dissonância mental, enganando a si próprios e ao seu público ingênuo (o Green Day que o diga). São “legítimos” casos de esquizofrenia.
Se não formos considerar as bandas de rock gospel, que, salvo honrosas exceções, definitivamente sequer estão no mainstream, sobram pouquíssimos roqueiros que declaradamente são da direita conservadora. O site Whiplash.net, no dia 02/09/2007, publicou uma matéria com alguns desses raros representantes.
Roqueiros conservadores: a direita do rock
Em matéria da revista Veja, em sua edição 2.024, cobrindo em sua maior parte a briga entre a ONU e Dave Mustaine, líder do MEGADETH (acusado na reportagem de ter “ralos dotes intelectuais” e de defender a política externa americana enquanto critica a ONU), o reporter Sérgio Martins listou quatro dos rockers mais direitistas da história, e seu apoio aos presidentes americanos.
Elvis Presley Quem apoiou: Richard Nixon Prova de admiração: defendia a cruzada do ex-presidente republicano contra as drogas e chegou a fretar um avião para visitá-lo na Casa Branca.

Neil Young Quem apoiou: Ronald Reagan Prova de admiração: o roqueiro foi seu cabo eleitoral de primeira hora e até hoje enaltece as suas realizações.

Johnny Ramone Quem apoiou: Ronald Reagan, George W. Bush Prova de admiração: para horror de seus colegas esquerdóides no Ramones, o guitarrista era um conservador. Na festa de entrada da banda para o Hall da Fama, cobriu Bush de elogios.

Megadeth Quem apoiou: George W. Bush Prova de admiração: o novo CD da banda acusa a ONU de “terrorismo” e defende as intervenções americanas no Oriente Médio.

Quarta-feira, 7 de Novembro de 2007
O Marxismo cultural
A Hegemonia Petista explicada: Marxismo cultural anti-cristão
— Texto baseado numa transcrição da palestra do Pe. Paulo Ricardo (A transcrição não foi revisada pelo autor.)
MARXISMO CLÁSSICO VERSUS MARXISMO CULTURAL
O marxismo cultural faz questão de não ser identificado com o marxismo clássico. O marxismo cultural não apenas é uma cultura anti-cristã, como também tenta ludibriar as pessoas fazendo passar idéias anti-cristãs como cristãs. Por exemplo, a idéia de paz mundial sem Cristo, simbolizada pelo logotipo da cruz invertida e com os braços quebrados.
A democracia precisa de uma base moral, de respeito mútuo onde possam conviver juntos a esquerda e a direita. Mas devido ao marxismo cultural, as coisas mudaram de tal maneira que o que antes era esquerda, virou centro; o que antes era a ultra-esquerda, virou a esquerda atual; e o que era direita, praticamente desapareceu do cenário político.
O manifesto comunista de Marx convocava os trabalhadores proletários de todo o mundo para que se unissem e se revoltassem contra os grandes proprietários. Sob esse perspectiva, Marx previa um grande conflito em toda a Europa em que os “trabalhadores oprimidos” atacariam os “patrões opressores” segundo os interesses de sua classe econômica.
Contudo, o conflito ocorreu mas não como fora previsto pelos marxistas. A Primeira Grande Guerra começou em 1914 e durou até 1919. O Kaiser alemão dizia “não há mais partidos, somos todos alemães” e trabalhadores se voltaram contra trabalhadores de outros países, cada um defendendo os “interesses de seus patrões”.
Em 1917, a revolução bolchevique deu uma esperança aos marxistas, embora todas as outras tentativas de revolução comunista fracassaram.
Em 1919, a revolução Espartacista em Berlin, com Karl Liebknecht, Rosa Luxemburgo, Spartacus, fracassou.
Também em 1919, houve o governo do Soviete de Munich, cujo governo provisório não conseguiu atrair o apoio dos trabalhadores.
Na Hungria, o governo provisório de Bela Kun, do qual participava o filósofo Georg Lucács, também fracassou.
Na Itália houve a revolta sindicalista em Turim, que também fracassou.
Esses fracassos consistiram num grande problema teórico para o marxismo: por que a realidade não segue a teoria? Um cérebro normal rejeitaria a teoria se ela não é compatível com a realidade, mas o cérebro marxista não é normal: se a realidade não confirma a teoria, pior para a realidade!
Antonio Gramsci e Georg Lukács concluíram que teria sido a cultura ocidental que “alienara os proletários e os prevenia de lutarem contra os interesses das outras classes”. A Rússia não era “ocidental” o suficiente e, na conclusão deles, por isso a revolução tinha dado certo lá.
A cultura ocidental é sustentada em 3 colunas: o direito romano, a filosofia grega e a moral judaico-cristã.
Para implantar o socialismo no Ocidente, eles concluíram que era preciso acabar com a moral judaico-cristã. Por isso é que o novo marxismo, o marxismo cultural, tem como objetivo destruir a moral judaico-cristã.
No entanto, isto criou um cisma no marxismo. No Ocidente, começou-se a lutar por uma outra espécie de marxismo diferente do marxismo ortodoxo que era praticado no Oriente, por trás da Cortina de Ferro.
O MARXISMO CULTURAL
Maurice Merleau-Ponty, um filósofo francês, cunhou a expressão “marxismo ocidental” para designar esse outro marxismo heterodoxo e herético aos olhos dos comunistas russos. Stalin odiava os comunistas do Ocidente por não aceitarem as ordens de Moscow apesar de também serem marxistas.
Vários filósofos e escritores famosos no Ocidente pertenceram a esse marxismo ocidental. Ernst Bloch (importante influência na revolução estudantil européia), Walter Benjamin, Jean Paul Sartre, Louis Althusser, Jürgen Habermas (que uma vez debateu com o então cardeal Ratzinger).
Em 1923, na Alemanha, foi realizada a Semana de Trabalho Marxista. Filósofos marxistas se reuniram para debater a crise da teoria marxista (por que a realidade não estava seguindo a teoria?) que vinha desde 1919. Nesse encontro, se destacaram Felix Weil e Georg Lukács. Felix Weil vinha de uma família rica e gastou o dinheiro do pai criando e sustentando financeiramente o Instituto Para a Pesquisa Social em Frankfurt em 1924: a famosa Escola de Frankfurt.
Esse grupo tinha como intenção inicial usar o nome “Instituto Marx-Engels”, espelhando o instituto de mesmo nome em Moscow, mas decidiram que no Ocidente eles teriam maior vantagem em não se identificar como marxistas. Esse instituto editou o primeiro volume da Edição Geral das Obras de Marx e Engels (MEGA - Marx-Engels-Gesamtausgabe) simultaneamente ao instituto de Moscow.
Esses jovens ricos estudavam a sociedade alemã para descobrir como funcionava o pensamento ocidental e descobrir como destruí-lo. Com a ascenção de Hitler ao poder e sua perseguição aos judeus e aos marxistas, eles fugiram para os Estados Unidos.
Uma das principais características dos marxistas culturais é que eles não querem saber de luta armada, mas querem ocupar espaços para pregar suas doutrinas em universidades, na mídia, nas igrejas ou em qualquer lugar onde haja discurso.
Vários destes pensadores, sem se identificarem como marxistas, se infiltraram e conseguiram lecionar em universidades americanas. Deles, merecem destaque Teodor Adorno, Herbert Marcuse e Max Horkheimer, que foram lecionar na Universidade de Columbia, em Nova York. Horkheimer e Adorno voltaram à Europa depois do fim da Segunda Guerra Mundial e fizeram muitos discípulos. Marcuse trabalhou para a CIA (então chamada de OSS) em projetos de propaganda anti-nazista e depois mudou-se para a Califórnia. Na época em que explodiu a revolução estudantil de 1968, ele lecionava na Universidade de San Diego.
Marcuse influenciou enormemente a cultura do Ocidente, mudando o pensamento marxista ocidental para uma espécie de casamento intelectual entre Marx e Freud. Os marxistas queriam uma revolução e para isso precisavam de gente revoltada. A revolta dos trabalhadores, explorada pelo marxismo clássico, era comprovadamente insuficiente. Era preciso encontrar mais gente revoltada. Marcuse descobriu a juventude e as pessoas reprimidas sexualmente.
O discurso então se tornou: “a sociedade capitalista” - isto é, ocidental - “é uma sociedade repressora. Ela oprime as pessoas, reprimindo-as sexualmente. Você não pode exercer sua sexualidade livremente. Revolte-se!” Eles queriam acabar com a moral cristã mas não confessavam suas intenções.
A pregação marxista passou a defender a liberação da sexualidade, aborto, homossexualismo e divórcio, chamando o casamento monogâmico de “moral burguesa” (codinome para moral cristã).
Erich Fromm, Cornelius Castoriadis (teve papel na revolução estudantil em Paris), Michel Foucault (uma das primeiras vítimas da AIDS por ser drogado e homossexual bastante promíscuo) e Herbert Marcuse foram as maiores influências nas universidades. Quando a revolução estudantil de 1968 eclodiu, Marcuse, Foucault, Castoriadis e outros estavam em Paris insuflando os estudantes.
Em Hollywood, os marxistas também trabalhavam para acabar com a “moral burguesa”. Vinte e poucos deles foram denunciados pelo senador Joseph McCarthy mas ele acabou sendo vítima do patrulhamento ideológico.
Depois da queda do muro de Berlin, o Código Venona foi descoberto nos arquivos da KGB e foi revelado que haviam não apenas vinte, mas mais de cem marxistas trabalhando em Hollywood sob ordens da KGB. O livro “Venona Code” explica esses fatos históricos em detalhes.
Em 1955, Marcuse escreveu “Eros e Civilização”, livro muito divulgado nas universidades e que se tornou a “bíblia” da revolução Hippie. Segundo seu discurso, a sociedade capitalista gera a guerra e a repressão sexual, portanto, “faça amor, não faça guerra”.
“Paz e amor, bicho!” Para ter coragem de des-reprimir, os jovens, que ainda foram criados em famílias cristãs, precisaram tomar drogas para conseguirem praticar perversões sexuais (a “liberação sexual”). Com isso veio Woodstock e o protesto contra a guerra do Vietnã. Os jovens e os transviados serviriam como combustível para o motor da nova revolução marxista.
NO BRASIL…
Em 1964, o Brasil era um país muito conservador, com uma sociedade capaz de realizar a Marcha da Família com Deus pela Liberdade em protesto contra a iminente revolução de João Goulart, que colocara o país rumo à uma ditadura comunista no estilo cubano.
Com a doutrinação através das novelas da Rede Globo - entre várias outras ocupações de espaços na mídia - isso mudou. Haviam muitos comunistas trabalhando nas Organizações Globo e outros órgãos da grande mídia brasileira. Roberto Marinho reagia contra o regime militar e protegia os comunistas da Globo: “Dos meus comunistas cuido eu.” Deles, os mais notáveis - Dias Gomes e Janete Clair - dominaram a década de 70 com suas novelas.
Na biografia de Dias Gomes, “Apenas Um Subversivo”, ele conta que pregou o divórcio - era tabu naquela época - na sua novela “Verão Vermelho” (1970). Na sua segunda novela, “Assim na Terra como no Céu” (1970), ele atacou o celibato clerical. Na novela “Roque Santeiro”, em 1975 (mas que foi impedida pelo governo militar), ele atacou o Cristianismo.
Em “Roque Santeiro”, o padre Albano (da teologia de libertação) e o padre Hipólito (supostamente conservador) discutem diante da estátua do Roque Santeiro, que havia morrido e se tornado mártir. Sob o protesto de padre Albano, o padre Hipólito vendia santinhos do Roque Santeiro e tentava encobrir o fato de que Roque Santeiro não havia morrido. Esta era a mensagem de Dias Gomes, traduzida: “O Cristianismo cria falsos mitos e é necessário denunciar esses mitos para impedí-los de se aproveitarem do povo.”
O governo militar não tinha idéia do marxismo cultural. Mandavam revistar a casa de Dias Gomes em busca de armas e livros ensinando guerrilha e não encontravam nada. Só foram descobrir algo quando, sob escuta telefônica, Dias Gomes explicou o suas intenções ao amigo Nelson Werneck Sodré: “Mas a Censura vai deixar passar?” “… Assim passa. Esses militares são muito burros!” Essa conversa foi descrita no livro de Artur Xexéo, “Janete Clair, a Usineira de Sonhos”. Assim que o governo soube da mutreta, a Censura baniu “Roque Santeiro” e justificou: “A novela contém ofensa à moral, à ordem pública e aos bons costumes, bem como achincalhe à Igreja”.
O general Golbery do Couto e Silva, com sua “teoria da panela de pressão”, foi um dos maiores responsáveis pelas desgraças que acontecem nas universidades brasileiras. “Toda panela de pressão deve ter uma válvula.” A válvula que ele deu de bandeja para os marxistas foram as universidades.
Embora houvessem agentes do governo militar assistindo as aulas dos marxistas nas universidades, estes podiam pregar tudo, desde que não tocassem em assunto de luta armada e reforma agrária. Eles tiveram toda a liberdade para falar de aborto, divórcio, sexo livre pois isso não era identificado como marxismo. Hoje as universidades estão completamente desmontadas em termos de cultura cristã, se tornando máquinas anti-cristãs disfarçadas, acusando os conservadores e denunciando sua “moral burguesa” (cristã) e seu “pensamento retrógrado” (cristão).
O politicamente correto é obra marxista. Ele foi criado por eles para tentar convencer as pessoas de que as convicções morais cristãs seriam viciadas e de que seria necessário tornar todo mundo igual.
No 7 de Setembro, uma data que deveria ser de comemoração de patriotismo, a CNBB, parte da igreja brasileira dominada pela Teologia da Libertação, criou o “Grito dos Excluídos”. Os “excluídos” são uma categoria criada por Pierre Bourdieu para perpetuar a idéia do conflito de classes.
Em Ibiúna, em 1968, foi realizado um congresso da UNE, sob a liderança dos atuais políticos de esquerda que estão no governo e na oposição. Os marxistas Aldo Rebelo (PC do B), José Serra (PSDB) e José Dirceu (PT), todos eles dos partidos em atual hegemonia, estavam nesse congresso.
No Brasil atual, dominado por este marxismo cultural, praticamente só existem partidos de esquerda. Todos eles tentam impôr e favorecer a sexualidade promíscua, o aborto e o homossexualismo, bem como o conflito racial e a histeria ecológica.
O PT chama o PSDB de direita, mas o PSDB não é direita. Ele está à direita do PT mas ainda é de esquerda. O PSOL acusa o PT e o governo Lula de não serem mais de esquerda, mas isso significa apenas que o PSOL está ainda mais à esquerda do que o PT.
A direita brasileira já não existe mais sob a forma de partidos, mas como os marxistas precisam de um inimigo imaginário, por isso usam o DEM - o antigo PFL, um partido criado para se opor ao regime militar e que foi tomado por oportunistas - como espantalho e saco de pancadas, um partido de oposição medíocre, subserviente e facilmente manipulável.
Essa hegemonia esquerdista é mantida em grande parte graças ao patrulhamento ideológico.
Se alguém ousar denunciar as trapaças dos marxistas, eles usam a tática proposta por Lênin: cair em cima da vítima coletivamente, fazendo inúmeras acusações.
“Você é agente da CIA, você é burguês, você é da elite branca, você é homofóbico, você é um louco” - todas as acusações e calúnias possíveis e imagináveis são usadas tendo como objetivo intimidar as demais pessoas para que elas não ousem concordar com quem denunciou as trapaças dos marxistas culturais.
A meta é fazer com que os outros tenham medo e pensem duas vezes antes de falar ou denunciar as mesmas coisas - esse é o patrulhamento ideológico.
Fonte: http://pensadoresbrasileiros.blogspot.com/2007/09/marxismo-cultural-anti-cristo.html
Posts relacionados: A corrupção moral da sociedade pelos Marxistas (I), A corrupção moral da sociedade pelos Marxistas (II).
Domingo, 4 de Novembro de 2007
Ali Kamel e as denúncias de doutrinação ideológica nas escolas
Os artigos que vou indicar a seguir não são novidade para quem obtém notícias fora do “mundinho” Zero Hora - Jornal Nacional - UOL - Folha de São Paulo - Terra e outros esgotos inculturais brasileiros. Tratam-se dos artigos de Ali Kamel denunciando a doutrinação ideológica esquerdista que é passada às crianças das escolas públicas através de livros “didáticos”.
Embora o assunto seja de uma gravidade assombrosa, aposto que muita gente não ouviu falar disso. Vale notar que Ali Kamel é diretor executivo de jornalismo da Rede Globo, e mesmo assim duvido muito que algum par de linhas tenha sido publicado no Jornal Nacional.
O que tenho a acrescentar é que isso é apenas a ponta do iceberg. Semestre passado eu mesmo presenciei um alto nível de doutrinação marxista em duas disciplinas da área “das humanas” que tenho que frequentar no meu curso, na Unisinos — uma instituição de nível superior privada. Isso faz todo o sentido. Afinal, quem educa as crianças no ensino básico é justamente quem se forma no ensino superior.
Mas vamos lá. Clique nos links abaixo e examine o material por si próprio: [ Livro didático e propaganda política ] [ O que ensinam às nossas crianças ]
Update @ 07/11/2007: Tive em mãos hoje um exemplar da Revista Época do dia 22 de Outubro de 2007, cuja matéria de capa é “O que estão ensinando às nossas crianças?“ (acesso apenas para assinantes).
A Novilíngua
“[…]
- Como vai o dicionário? - perguntou Winston, levantando a voz para se fazer ouvir.
- Devagar - respondeu Syme. - Estou nos adjetivos. É fascinante.
O rosto se lhe iluminara imediatamente com a menção da Novilíngua. Empurrou a marmita para o lado, apanhou com a mão delicada o cubo de queijo, o pedaço de pão com a outra, e ínclinou-se sobre a mesa, para poder falar sem gritar.
- A Décima Primeira Edição será definitiva - disse ele. - Estamos dando à língua a sua forma final - a forma que terá quando ninguém mais falar outra coisa. Quando tivermos terminado, gente como tu terá que aprendê-la de novo. Tenho a impressão de que imaginas que o nosso trabalho consiste principalmente em inventar novas palavras. Nada disso! Estamos é destruindo palavras - às dezenas, às centenas, todos os dias. Estamos reduzindo a língua à expressão mais simples. A Décima Primeira Edição não conterá uma única palavra que possa se tornar obsoleta antes de 2050.
Mordeu famintamente o pão e engoliu dois bocados. Depois continuou a falar, com uma espécie de paixão pedante. O rosto magro e moreno animara-se, os olhos haviam perdido a expressão de chacota e tinham-se tornado quase sonhadores.
- É lindo, destruir palavras. Naturalmente, o maior desperdício é nos verbos e adjetivos mas há centenas de substantivos que podem perfeitamente ser eliminados. Não apenas os sinônimos; os antônimos também. Afinal de contas, que justificação existe para a existência de uma palavra que é apenas o contrário de outra? Cada palavra contém em si o contrário. “Bom”, por exemplo. Se temos a palavra “bom,” para que precisamos de “mau”? “Imbom” faz o mesmo efeito - e melhor, porque é exatamente oposta, enquanto que mau não é. Ou ainda, se queres uma palavra mais forte para dizer “bom”, para que dispôr de toda uma série de vagas e inúteis palavras como “excelente” e “esplêndido” etc. e tal? “Plusbom” corresponde à necessidade, ou “dupliplusbom” se queres algo ainda mais forte. Naturalmente, já usamos essas formas, mas na versão final da Novilíngua não haverá outras. No fim, todo o conceito de bondade e maldade será descrito por seis palavras - ou melhor, uma única. Não vês que beleza, Winston?
Naturalmente, foi idéia do Grande Irmão, - acrescentou, à guisa de conclusão.
Uma tênue ansiedade perpassou pelo rosto de Winston à menção do Grande Irmão. Isso, não obstante, Syme imediatamente percebeu nele uma certa falta de entusiasmo.
- Não aprecias realmente a Novilíngua, Winston - disse, quase com tristeza. - Mesmo quando escreves em Novilíngua, pensas na antiga. Tenho lido artigos teus no Times. São bons, mas são traduções. No teu coração, havias de preferir a Anticlíngua, com toda a sua imprecisão e suas inúteis gradações de sentido. Não percebes a beleza que é destruir palavras. Sabes que Novilíngua é o único idioma do mundo cujo vocabulário se reduz de ano para ano? Winston naturalmente não sabia. Sorriu, com ar de simpatia (ao que esperava), não confíando em suas próprias palavras. Syme mordiscou outro fragmento do pão escuro, mastigou-o um pouco e continuou: -Não vês que todo o objetivo da Novilíngua é estreitar a gama do pensamento? No fim, tornaremos a crimidéia literalmente impossível, porque não haverá palavras para expressá-la. Todos os conceitos necessários serão expressos exatamente por uma palavra, de sentido rigidamente definido e cada significado subsidiário eliminado, esquecido. Já, na Décima Primeira Edição; não estamos longe disso. Mas o processo continuará muito tempo depois de estarmos mortos. Cada ano, menos e menos palavras e a gama da consciência sempre um pouco menor. Naturalmente, mesmo em nosso tempo, não há motivo nem desculpa para cometer uma crimidéia. É apenas uma questão de disciplina, controle da realidade. Mas no futuro não será preciso nem isso. A Revolução se completará quando a língua for perfeita. Novilíngua é Ingsoc e Ingsoc é Novilíngua, - agregou com uma espécie de satisfação mística. - Nunca te ocorreu, Winston, que por volta do ano de 2050, o mais tardar, não viverá um único ser humano capaz de compreender esta nossa palestra?
- Exceto… - começou Winston, em tom de dúvida, mas parou de repente.
Estivera a pique de dizer “Exceto os proles” mas controlou-se, sem ter plena certeza de que essa observação fosse ortodoxa. Syme, todavia, adivinhara o que ele quisera dizer.
- Os proles não são seres humanos, - disse ele, descuidado. - Por volta de 2050, ou talvez mais cedo, todo verdadeiro conhecimento da Anticlíngua terá desaparecido. A literatura do passado terá sido destruida, inteirinha. Chaucer, Shakespeare, Milton, Byron - só existirão em versões Novilíngua, não apenas transformados em algo diferente, como transformados em obras contraditórias do que eram. Até a literatura do Partido mudará. Mudarão as palavras de ordem.
Como será possível dizer “liberdade é escravidão” se for abolido o conceito de liberdade? Todo o mecanismo do pensamento será diferente. Com efeito, não haverá pensamento, como hoje o entendemos. Ortodoxia quer dizer não pensar… não precisar pensar. Ortodoxia é inconsciência.
Qualquer dia, refletiu Winston, com convicção profunda e repentina, Syme será vaporizado. É inteligente demais. Vê demasiado claro e fala sem subterfúgios. O Partido não gosta de gente assim. Um dia ele desaparecerá. Está na cara. […]”
(ORWELL, George; 1984)
 John Hurt como Winston Smith em “Nineteen Eighty-Four“.
“Desenvolvimento sutentável” [2]
Andei pensando e considerei importante eu reiterar isto sem ironias, sem sarcasmo, sem escárnio. “O Capitalista” Pedro Carleial expressou bem a mensagem que eu quis transmitir no post “Desenvolvimento sustentável“:
Da próxima vez que ouvir de um ambientalista a lorota de que “preservação” é para o bem da humanidade, lembre-se destas imagens. É este o ideal do ambientalismo: a humanidade voltando para as cavernas - para o “bem” do planeta. [*]
Não existe sombra de dúvida que quando se fala em “Desenvolvimento sustentável” é EXATAMENTE a isto que se referem, a “cubanificação” do mundo. E não se trata de um delírio pessoal, nem de exagero. É a própria WWF, uma entidade ambientalista, que está afirmando isto. Não é por acaso. É mais um daqueles termos vagos e de duplo sentido que entram no nosso vocabulário sem que nós percebamos seus reais significados (Exemplos: “Justiça social”, “Consciência social”, “Exclusão social”, “Minorias”, “Elites”, “Neoliberalismo”. Vide Serpentário de palavras, de José Monir Nasser).
Para quem desejar ir mais além, este post da série “Realismo socialista” do Conde Loppeaux ilustra mais registros pictográficos sobre Cuba.
Posts relacionados: Desenvolvimento sustentável, A estreita ligação entre os “ismos” (comun/social/coletiv/marx) e a ecologia/ambientalismo.

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embora seja considerada um ato ético e de boa educação. ;-) ]
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