“Pensando sobre o princípio microeconômico dos complementos, percebi algo interessante sobre software de código aberto, que é o seguinte: a maioria das companhias que estão gastando grana alta para desenvolver código aberto fazem isso porque é uma boa estratégia de negócios para elas, não porque de repente pararam de acreditar no capitalismo e se apaixonaram pela liberdade de expressão.” [Carta Estratégica V][*]
Joel Spolsky, fundador da Fog Creek Software, ensinando princípios básicos de microeconomia, faz as contas e revela a palavra-chave que nunca me lembrei de mencionar por aqui quando falo em Softwares: COMODITIZAÇÃO.
“(…) a demanda por um produto aumenta quando o preço de seus complementos diminui. Em geral, é do interesse estratégico de uma empresa que o preço dos seus complementos seja o mais baixo possível. O menor preço teoricamente sustentável seria o “preço de commodity” — o preço que surge quando você tem um monte de competidores oferecendo bens não diferenciáveis, genéricos. (…)”
Um exemplo um tanto conveniente, especialmente para aqueles que ainda inocentemente pensam que foi o domínio do Microsoft Internet Explorer no mercado de browsers que matou a Netscape Communications Co.:
“(…)
Manchete: Netscape Abre o Código do seu Navegador Web.
Mito: Eles estão fazendo isso para obter contribuições gratuitas de código de programadores em cybercafés na Nova Zelândia.
Realidade: Eles estão fazendo isso para comoditizar o navegador web. Essa foi a estratégia da Netscape desde o primeiro dia. Dê uma olhada no primeiro press-release da Netscape: o navegador é “freeware.” A Netscape deu o browser de graça para ganhar dinheiro nos servidores. Navegadores e servidores são complementos clássicos. Quanto mais barato o navegador, mais servidores são vendidos. Isto nunca foi tão verdadeiro quanto em outubro de 1994.
(…) Quando a Netscape lançou o Mozilla como Código Aberto, foi porque viram uma oportunidade de baixar o custo de desenvolver o navegador. Assim, eles poderiam obter os benefícios da commodity a um custo menor.(…)
Leia o resto lá, e descubra porque Bill Gates pode comprar a Suécia e você não.
[*] Texto originalmente publicado em 2002.