|
|
|
Sábado, 22 de Outubro de 2005
epígrafes 12 (epílogo)
Não acreditamos que o egoísmo da natureza humana venha a ser vencido, mas planejaríamos as leis e as instituições de modo a desencorajá-lo e a desaprová-lo de todas as formas possíveis. (Morning Post, janeiro de 1847)
O Post provavelmente imagina que as leis e instituições, por serem destinadas a promover o bem público, formam a sociedade; mas uma filosofia diferente representa a sociedade como produto natural dos instintos individuais. (Economist, janeiro de 1847)
Quinta-feira, 20 de Outubro de 2005
epígrafes 11
O primeiro homem que, cercando um pedaço de terra, teve a idéia de dizer “isso é meu”, e encontrou gente simples o suficiente para acreditar nele, foi o verdadeiro fundador da sociedade civil. Quantos crimes, guerras, assassinatos; quanta miséria e quanto horror teriam sido poupados à raça humana se alguém arrancasse as estacas, tapasse os buracos e gritasse para os companheiros: “Cuidado, não dêem ouvidos a este impostor. Estarão perdidos se esquecerem que os frutos da terra a todos pertencem e que a terra não é de ninguém!” (Jean-Jacques Rousseau, Discurso sobre a origem da desigualdade entre homens, 1755)
Dêem a um homem a garantia de posse de uma rocha desolada e ele fará dela um jardim; arrendem-lhe um jardim por nove anos e fará dele um deserto… O poder mágico da propriedade transforma areia em ouro. (Arthur Young, Travels, 1787)
epígrafes 10
O bom pastor dá a vida pelas ovelhas. O mercenário, porém, que não é pastor, a quem não pertencem as ovelhas, vê que o lobo vem vindo, abandona as ovelhas e foge: então o lobo as arrebata e dispersa. O mercenário foge, porque é mercenário, e não tem cuidado com as ovelhas. (São João, 10, 11-13)
epígrafes 9
Cada animal ainda é obrigado a se manter e se defender, separada e independentemente, e não tira proveito da diversidade de talentos com que a natureza distinguiu seus iguais. Entre os homens, ao contrário, os gênios mais dessemelhantes são úteis uns aos outros; os diferentes produtos dos seus talentos, graças à tendência geral para a troca, o escambo, a permuta, são trazidos para o estoque comum, onde cada um pode comprar qualquer parte de que necessite do produto do talento de outros. (Adam Smith, A riqueza das nações, 1776)
Quarta-feira, 19 de Outubro de 2005
epígrafes 8
Uma tribo com muitos membros que, possuindo em alto grau espírito de patriotismo, fidelidade, obediência, coragem e compaixão, estivessem sempre prontos a ajudar uns aos outros, e a sacrificar-se pelo bem comum, triunfaria sobre a maioria das outras tribos; e isso seria seleção natural. (Charles Darwin, The Descent of Man, 1871)
Segunda-feira, 17 de Outubro de 2005
epígrafes 7
Criaturas selvagens são afetadas e impulsionadas por diversos instintos e inclinações; nós também… Parece, então, ser fato que nossa constituição nos leva a condenar a falsidade, a violência gratuita, a injustiça e a aprovar a bondade, de preferência com uns e não com outros. (Bispo Joseph Butler, Of the Nature of Virtue, 1737)
Sexta-feira, 14 de Outubro de 2005
epígrafes 6
A descoberta de que as tendências altruísticas se formam em benefício dos genes é uma das mais perturbadoras da história da ciência. Quando a entendi pela primeira vez, passei noites mal dormidas tentando encontrar uma alternativa que não violasse tão diretamente minhas noções de certo e errado. A compreensão dessa descoberta pode minar o compromisso com a moralidade - parece tolice nos abstermos de qualquer coisa se o comportamento moral é apenas outra estratégia para defender os interesses dos nossos genes. Alguns estudantes, pejame admiti-lo, saíram de meus cursos levando uma noção ingênua da teoria do gene egoísta que, para eles, parecia justificar o egoísmo, apesar dos meus esforços para explicar a falácia naturalista. (Randolph Nesse, 1994)
Quinta-feira, 13 de Outubro de 2005
epígrafes 5
Não há obrigação mais indispensável do que a de retribuir uma bondade. Todos desconfiam de quem esquece um benefício. (Cícero)
Terça-feira, 11 de Outubro de 2005
epígrafes 4
Onde é do seu próprio interesse, pode-se esperar, sem exagero, que todo organismo ajude os seus companheiros. Onde não há alternativa, ele se submete ao jugo da servidão comunitária. Mas, tendo a oportunidade de agir em interesse próprio, nada, a não ser a conveniência, o impedirá de brutalizar, de mutilar, de assassinar o irmão, o colega, o pai, ou o filho. Arranhe-se um “altruísta” e veja-se um “hipócrita” sangrar. (Michael Ghiselin, 1974, The Economy of Nature and the Evolution of Sex, University of Carolina Press, Berkeley)
Domingo, 9 de Outubro de 2005
epígrafes 3
Aprendi a servir ao próximo sem qualquer espécie de bondade genuína: porque prevejo que ele me retribuirá, na expectativa de receber novos serviços, e de manter a mesma relação de bons ofícios comigo ou com outros. E, conseqüentemente, depois que eu o sirvo e ele usufrui das vantagens da minha ação, meu próximo é levado a fazer a sua parte, antevendo as conseqüências de uma recusa. (David Hume, A Treatise of Human Nature, 1740)
Sexta-feira, 7 de Outubro de 2005
epígrafes 2
Pensa nisto: zilhões e zilhões de organismos girando livres, cada qual enfeitiçado por uma verdade, todas essas verdades idênticas e incompatíveis entre si do ponto de vista lógico: “Meu material hereditário é o material mais importante da terra; tua sobrevivência justifica tua frustração, tua dor e até mesmo tua morte.” E tu és um desses organismos, vivendo tua vida na servidão de um absurdo lógico. (Robert Wright, O animal moral, 1994)
Quinta-feira, 6 de Outubro de 2005
epígrafes 1
A sociedade das abelhas corresponde ao ideal expresso no aforismo comunista “a cada um conforme sua necessidade, de cada um conforme sua capacidade”. Nela a luta pela existência é estritamente controlada. Rainhas, zangões e operárias recebem a quantidade de alimento de que necessitam… Um zangão pensativo (operárias e rainhas não teriam tempo de folga pra refletir), com pendor para a filosofia ética, forçosamente se classificaria como um moralista intuitivo dos mais genuínos. Demonstraria, com perfeita razão, que a dedicação das operárias para uma vida de lida incessante para assegurar a mera subsistência não pode ser atribuída nem ao egoísmo esclarecido nem a qualquer outro motivo utilitário. (T. H. Huxley, Evolution and Ethics. Prolegomena, 1894)

rei nada ::: um weblog editado por Marcos Ludwig.
[ a cópia do conteúdo apresentado é permitida. a citação da fonte é arbitrária,
embora seja considerada um ato ético e de boa educação. ;-) ]
|