“(…) Barba, bigode, costeleta e cavanhaque ressaltam a maturidade e masculinidade de um rosto, já que o pêlo facial só surge depois da puberdade, e só aparece em abundância no homem. A barba também faz o rosto parecer mais masculino ao acentuar o tamanho da parte inferior. O psicólogo Michael Cunningham sugere que homens com cara de bebê se tornam mais atraentes e com uma aparência mais vigorosa usando barba. Homens calvos frequentemente são vítimas do efeito cara-de-bebê, pois a linha recuada do couro cabeludo lhes deixa a testa larga, e as feições mais para baixo, típicas do bebê.
O pêlo facial foi menos abundante no século XX do que no século anterior (exceto na década de 1960), em parte porque a opinião médica virou-se contra ele. À medida que as pessoas iam tomando consciência do papel dos germes em doenças contagiosas, a barba passou a ser vista como repositório de germes. Anteriormente, era aconselhada pelos médicos como um meio de proteger a garganta e filtrar ar nos pulmões. Porém, por volta de 1907, um cientista parisiense percorria a cidade com dois homens, um de bigode e outro sem, para testar os risos de saúde do primeiro. Depois de ir ao Louvre e outros lugares, os dois beijaram uma mulher cujos lábios haviam sido esterilizados. O resíduo foi limpo e mergulhado em uma solução estéril e deixado em repouso por quatro dias. O resíduo do homem sem bigode continha simplesmente uma levedura inofensiva, mas o resíduo do homem de bigode “pululava de micróbios malignos… difteria, germes putrefativos, pedaços minúsculos de comida, pêlo de uma pata de aranha e outros restos”.
A barba nunca mais se recuperou totalmente. Em um artigo de 1904 na Harper’s Weekly, um colunista lamentou os efeitos estéticos de ver toda face masculina bem escanhoada: “As revelações são por vezes assustadoras: queixos recuados, beiçolas, bocas sem expressão, maxilares grosseiros, pescoços gordos e flácidos, que se ocultavam em coberturas peludas aparecem… Meu Deus, pergunta a si mesmo, é assim que Jones sempre foi?” Em 1982, o colunista Otto Fredrick raspou o bigode. “Para meu desânimo, vi no espelho um rosto que não via há mais de uma década, e mal reconheci. Como adquiri essas linhas verticais profundas de insatisfação dos dois lados de minha boca?” A barba e o bigode têm sido usados por homens da mesma maneira como as mulheres usam maquiagem, para camuflar traços não-atraentes e disfarçar os sinais da idade. Um bigode bem colocado pode fazer um nariz ou boca assimétricos parecerem mais simétricos, e a barba e o cavanhaque podem mudar a forma aparente do queixo e da linha do maxilar. Nos estudos de psicólogos, a barba tem um impacto considerável no reconhecimento do rosto. (…)”
(ETCOFF, Nancy; A lei do mais belo - A Ciência da Beleza; 1999; Excerto do capítulo 5 - Apresentação das Feições)