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Terça-feira, 31 de Maio de 2005
eu queria ser o Han Solo

Hokey religions and ancient weapons are no match for a good blaster at your side, kid.

Han Solo: Hokey religions and ancient weapons are no match for a good blaster at your side, kid.

(Star Wars, de George Lucas - 1977)

[ postado às 00:05:14 ] - [ comente isto ]

Domingo, 29 de Maio de 2005
já não fazem mais gênios como antigamente

But I'm the best!

Mozart: Why must I submit samples of my work to some stupid committee just to teach a thirteen-year-old girl?
Count Von Strack: Because his majesty wishes it.
Mozart: Is the emperor angry with me?
Count Von Strack: Quite the contrary.
Mozart: Then why doesn’t he simply appoint me to the post?
Count Von Strack: Mozart, you are not the only composer in Vienna.
Mozart: No. But I’m the best!

(Amadeus - Director’s Cut, de Milos Forman - 1984)

[ postado às 23:05:17 ] - [ comente isto ]

Terça-feira, 10 de Maio de 2005
are you safer with Firefox? (2)

E-week: Falhas no Firefox fazem voluntários da Fundação Mozilla trabalharem duro

Pela quarta vez em três meses, falhas graves de segurança no navegador Firefox fazem voluntários da Fundação Mozilla trabalharam no modo “controle de danos” para desenvolverem correções para as falhas.

O grupo lançou na madrugada de domingo uma correção parcial para duas falhas “extremamente críticas” do Firefox após o lançamento de códigos que as exploram vazarem para a Internet, prometendo que uma correção definitiva estaria disponível em breve.

advisory do Secunia: [ aqui ].

solução temporária para ficar seguro:
1) Desabilite JavaScript.
2) Desabilite instalação de software: Options –> Web Features –> “Allow web sites to install software”

ou então, mude o browser para o Opera 8.x. ele não possui nenhuma vulnerabilidade conhecida até o momento.

Update 12/05/2005 @ 00:46: a Mozilla lançou ontem uma nova versão (1.0.4) do Firefox com estas vulnerabilidades corrigidas. [ baixai aqui ]

[ postado às 00:05:14 ] - [ comente isto ]

Segunda-feira, 9 de Maio de 2005
quem foi Phineas Gage?

“Foi tudo muito rápido. Por volta das 16h30 de uma tarde quente de 1848, em Vermont, Estados Unidos, um acidente que durou alguns segundos fez de um capataz da construção civil uma das figuras chaves da compreensão do cérebro humano.

Não foi, é claro, um acidente qualquer — mas um daqueles que hoje valeria as manchetes dos programas populares. Phineas Gage (esse é o nome do rapaz) tinha 25 anos e trabalhava no assentamento de trilhos na região de Cavendish, no auge da construção das ferrovias na América. É claro que havia pedras no caminho, rochas que obstruíam a passagem dos trilhos e precisavam sair dali. Para removê-las, Gage seguia um método cuidadoso: fazia um buraco na rocha para colocar pólvora, cobria-a com uma camada de areia, socava tudo com um cabo de ferro, acendia o rastilho, corria e pronto: a rocha explodia em uma nuvem de pedrinhas.

Naquela tarde do dia 13 de setembro, porém, Gage negligenciou um detalhe: a areia. Quando socou o bastão diretamente sobre a pólvora, uma explosão fez com que o ferro em forma de lança entrasse pelo lado esquerdo da sua face, atravessasse a base do crânio e saísse como um projétil pelo topo da cabeça. “Acidente horrível”, foi a manchete do jornal Boston Daily Courier, uma semana depois da explosão. Com o título “Passagem de uma barra de ferro através da cabeça”, o artigo do Boston Medical and Surgical Journal da época relatava que, depois de cair no chão e sofrer convulsões, Gage recobrou a consciência e, em pouco tempo, voltou a andar e a falar como antes. Pela extensão da ferida e perda de massa encefálica, sua sobrevivência parecia impossível. Imagine a surpresa dos amigos quando ele retornou ao normal. Como se veria mais tarde, não tão normal assim.

Alguns meses após o acidente, os médicos e os amigos de Gage notaram algumas mudanças no comportamento dele. Conhecido até então como um trabalhador amigável, solidário e persistente, ele agora revelara-se insuportável com os colegas, além de caprichoso, arrogante e impaciente com as ordens dos superiores, comportando-se, às vezes, como uma criança birrenta. O acidente mudou até o seu linguajar: deixou de lado sua postura austera e respeitosa e passou a falar tanta baixaria que nenhuma mulher era recomendada a ficar perto dele. Demitido por indisciplina, passou a cuidar de cavalos em algumas propriedades — sem jamais conseguir um emprego fixo. Chegou a tornar-se atração, de circo, mostrando para o público as marcas da ferida assim como o ferro que lhe atravessara a cabeça, no Museu de Barnum, em Nova York. (O médico que acompanhava o caso, na época, dizia que o bastão passou a ser uma espécie de companheiro inseparável.) Depois de trabalhar algum tempo no Chile como cocheiro, voltou aos Estados Unidos para viver com a mãe em San Francisco, onde morreu no dia 21 de maio de 1861, aos 38 anos, sem direito a nenhuma nota no jornal.

Se não fosse por seu médico, doutor Harlow, o acidente seria esquecido. Indignado por não ter estudado o cérebro de Gage (só soube da morte do paciente quatro anos depois do enterro), ele pediu à irmã de Gage que o corpo fosse exumado para que seu crânio fosse preservado.

Apesar de o acidente ter sido há mais de 150 anos, até hoje o caso é usado por neurologistas para ilustrar como um dano físico no cérebro pode alterar a personalidade de uma pessoa. Num estudo recente na Universidade de Iowa, imagens computadorizadas mostraram que a área afetada pelo bastão foi o córtex pré-frontal — camada externa do cérebro logo abaixo da testa, responsável por nossa capacidade de sentir emoções. Quando essa região é atingida, os neurologistas dizem que os pacientes se tornam indiferentes, distantes e passam a ter dificuldades para tomar decisões (essa seria a razão da mudança de caráter de Gage). Quem hoje visita o Warren Medical Museum, na Escola de Medicina de Harvard, em Boston, Estados Unidos, pode ver o crânio e o bastão de ferro que pertenceu ao homem que fez muito pela neurologia — sem nunca ter lido um só livro sobre o assunto.”

(CAVALCANTE, Rodrigo; matéria extraída da Revista Superinteressante, Edição 184, Janeiro de 2004)

máscara feita em vida e crânio de Phineas, o cara que se deu mal.
máscara feita em vida e crânio de Phineas,
o cara que se deu mal.

mais sobre o caso de Phineas Gage, aqui.

[ postado às 01:05:10 ] - [ comente isto ]

Quinta-feira, 5 de Maio de 2005
quer usar Betas em ambiente de produção? use (por própria conta e risco)

a abertura de comentários em blogues pessoais algumas vezes rendem formidáveis discussões entre leitores e autores. recentemente, acompanhei um debate muito interessante ocorrido nos comentários de um weblog pessoal, onde o autor dele se identifica apenas como Lobo. o debate surgiu da opinião de Lobo à um artigo publicado no site CNET News.com, que noticiava a decisão da Microsoft em adicionar adendos aos contratos de licença de alguns produtos Beta, permitindo o uso destes pelos clientes em ambientes de produção. no post, Lobo manifestou seu asco com relação à esta decisão, conforme pode ser visto neste link aqui.

o Diogo, meu respeitável amigo e assecla do Sentinelas.org, resolveu dar início à uma polêmica discussão declarando discordância à idéia de Lobo. o debate se manteve em altíssimo nível, até que o autor do blogue irritou-se a ponto de decidir LIMAR grande parte do desfecho da discussão (originalmente haviam 12 comentários). concordo que o autor tem todo o direito de se reservar a isto, uma vez que é dono do local. entretanto, fiquei desapontado. como não vi restrição alguma quanto à citações do referido blogue, tomei a liberdade de IMPORTAR para cá a discussão, para que seja possível dar continuidade a ela e para que eu também possa opinar a respeito. minhhas considerações seguem logo abaixo.

[1] em um dos comentários ainda visíveis, Lobo comenta: “Neste caso a MS não está tratando apenas de beta users, mas de usuários finais(…)”. em primeiro lugar, “usuário final” é qualquer indivíduo fora da companhia criadora que decide por utilizar o software. em segundo lugar, se o usuário final optar por utilizar um produto Beta, ele é automaticamente considerado um Beta user. vejamos a definição do que é uma versão Beta, atentando ao que eu grifei:

The beta version of a product still awaits full debugging or full implementation of all its functionality, but satisfies a majority of the requirements. Beta versions (or just betas) stand at an intermediate step in the full development cycle. Developers release them to a group of beta testers (or, sometimes, to the general public) for a user test. The testers report any bugs that they found, features they would like to see in the final version, etc. When a beta becomes available to the general public it often becomes used almost as widely as the finished product (when developers subsequently complete that product).(…)

[2] ainda nos comentários visíveis, o autor declara: “mas ninguém questionou o produto que está por vir. Mas jamais teremos confiança em um produto Beta para um ambiente de produção. Isso seria irresponsabilidade e estupidez demais para qualquer profissional.(…)“. é nesse momento que eu chamo o Press Release da Microsoft, publicado no dia 18 de Abril de 2005, uma fonte incontestavelmente fidedigna do que a companhia questionada informa à imprensa. no item “Customers Embrace CTP Model” (”Clientes adotam o modelo Community Technology Preview“) podemos ler:

“We have heard positive feedback from our customers such as Barnes & Noble, Recall Corp. and Summit Partners, which have already deployed SQL Server 2005 and have seen an increase in performance and productivity. The quality of each CTP we have offered has improved, and each one from this point forward will only get better.”(…)

“(…)SQL Server 2005 gives us the ability to do more with less; we have seen a 20 percent performance increase in our beta tests,” said James Holt, vice president of Server Development at Townsend Analytics. “It’s absolutely rock-solid, and we’ve never seen the engine crash. SQL Server gives us an out-of-the-box competitive advantage. The price/performance ratio is phenomenal, and customers will see enhanced uptime and dramatically improved response time.”(…)

é constatado, então, o feedback positivo dos clientes com relação aos produtos Beta em questão. tudo indica que não se tratam de clientes quaisquer. são empresas conceituadas e não “irresponsáveis” como Lobo supôs.

há mais:

(…)In addition, Microsoft is running full SAP payroll, expense, tax data warehouse and document repository systems, and has more than 10 instances of SQL Server 2005 storing multiple terabytes of data. These SQL Server 2005 installations have been responsible for processing more than 7 billion transactions against Microsoft’s SAP system.(…)

ou seja: a própria Microsoft admite utilizar o SQL Server 2005 (um dos Betas) em seu sistema interno de folhas de pagamento, despesas e etc.

de onde conclui-se que a decisão de incluir os adendos, resultando na licença Go-Live, é absolutamente genuína. isto partiu da forte demanda vinda de clientes e é interessante tanto à eles quanto à Microsoft. os clientes poderão utilizar os Betas no desenvolvimento de sistemas na arquitetura inovadora do .NET Framework versão 2.0, ambiente de execuções baseado em máquina virtual que se fará presente principalmente no Longhorn, a próxima geração do sistema operacional Windows. antecipar o desenvolvimento de software dentro desta arquitetura significa ganhar tempo até que a versão final seja lançada, além de aproveitar as suas vantagens que já apresenta. vale lembrar que a licença Go-Live se refere apenas à produtos para desenvolvedores de aplicações, e claramente avisa que várias funcionalidades se tornarão obsoletas no lançamento da versão final, além de não oferecerem suporte aos produtos. quem estiver disposto a enfrentar isso, poderá utilizar as ferramentas em produção sem problemas.

[3] no corpo do próprio post do autor, ele exemplifica o seguinte: “(…)O SQL Server, por exemplo, é um servidor de banco de dados. Um ambiente de produção, por exemplo, é o banco de dados do banco onde você tem conta.(…)“. eu considero isto bastante improvável de acontecer. a licença Go-Live é restritiva quanto à distribuição do .NET Framework 2.0 Beta 2 (necessário para executar o SQL Server 2005 Express Edition), conforme diz o fragmento dela a seguir…

(…)Customers may not distribute the .NET Framework 2.0 Beta 2 with their applications (for example: end users of an ISV application based on the Beta 2 must obtain the .NET Framework Beta 2 from Microsoft, and sign the Go-Live license)(…)

…o que significa que a Empresa X desenvolvedora de um aplicativo baseado nesta versão do Framework não poderá distribuí-lo ao Banco Y. o Banco Y terá que obter o Framework diretamente com a Microsoft, antes tendo que assinar a licença Go-Live. vamos concordar que chegar até este ponto já torna esta hipótese bastante improvável? enfim, caberá ao Banco Y, portanto, tomar a decisão de concordar com os termos, que por si só não são encorajadores nem à ele, nem à Empresa X. dependendo de como for o acordo entre X e Y, um dos dois terá que arcar com as consequências desta decisão. a Microsoft deixa claro que não irá ressarcir ninguém por qualquer falha, mesmo que se prove que o problema está no seu produto.

[4] já em um dos comentários que sumiram, é dito o seguinte: “(…)Softwares Beta (…) NÃO são usados em ambientes de produção pela simples razão de que ambientes de produção precisam ser ESTÁVEIS. Um software beta por definição NÃO é estável.” ora, se o usuário final julgar que o software Beta é estável no que atende às necessidades do seu trabalho, responsabilizando-se pelas consequências do seu uso, não é necessariamente preciso que o software seja estável por completo.

aliás, o que define um software ser “instável”? eu vejo duas formas de interpretar isso. A) uma delas é dizer que o software é instável por apresentar falhas. qualquer software, sendo ele Beta ou não, é suscetível à falhas; e há softwares Beta que conseguem falhar menos que muitos softwares de versão oficial. nesse caso, o termo fica relativo à cada software. B) a outra é dizer que o software é instável por não estabelecer ainda qualquer preocupação com compatibilidade entre versões (a Go-Live, conforme já citado, deixa claro que a incompatibilidade será inevitável).

então, a Empresa X poderá considerar o seguinte: “de acordo com os testes que fiz, ‘A’ se demonstrou irrelevante, e ‘B’ estou disposto a enfrentar. assim sendo, como eu quero realmente usufruir das vantagens que os Betas oferecem, eu vou concordar com a Go-Live”.

[5] eu também acabei comentando, e fui deletado. faço questão de colar aqui o que comentei:

At 10:20 AM, Marcos Ludwig said…
Se é assim que pensam, sugiro que o autor do blogue retire o link para comentários. Se a opinião dele não pode ser questionada, se “blog não é fórum”, para quê serve esta abertura então?

Ah, em tempo: Eu sou profissional e eu também discordo de ti quanto a considerar a atitude da Microsoft uma “perversão total”.

bem, é isso. eu pude apresentar o meu ponto de vista aqui no meu espaço e eu estou disposto a discutir quaisquer pontos apresentados, desde que encarados com seriedade e acompanhados de argumentos válidos. o link de comentários abaixo é serventia da casa. se por acaso virar fórum, eu não vejo problema algum.

[ postado às 01:05:50 ] - [ comente isto ]


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