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Terça-feira, 14 de Dezembro de 2004
ovelhinhas

“(…)Em termos mais humanos, um inimigo externo contribui para a coesão do grupo. Essa idéia é exaustivamente familiar. Na blitz de Londres, diferenças e antagonismos foram claramente esquecidos: as bombas alemãs provocaram a lealdade monolítica entre ingleses (e vice-versa). Com o fim da guerra, a sociedade fragmentou-se novamente e o triunfante bem comum dos anos da guerra desintegrou-se no egoísmo rixento da paz, gradualmente estragando a promessa de socialismo. Para citar um exemplo mais conhecido, os motoristas de táxi de Londres são notórios, pelo que sei por experiência própria, por seu antagonismo com outros motoristas e por sua manifesta preferência por outros táxis. (…) O mundo dos motoristas de táxi se divide em duas facções, nós e eles. Assim, ele é gentil “conosco” e grosseiro com “eles”.

O mesmo se pode dizer da rivalidade entre os usuários da Apple-Macintosh e adeptos de PCs da IBM. Um volume impressionante de desdém é despejado sobre estes por aqueles, que acham seu software inerentemente superior. Em grande parte, isso é motivado pelo tribalismo.

(…)muitos animais formam bandos, cardumes, manadas e matilhas ou alcatéias, que são mais do que grandes famílias. Mas o fazem por simples egoísmo. O indivíduo vive melhor na manada do que fora dela, por uma excelente razão: a manada oferece alvos alternativos para os predadores. Há segurança na quantidade.(…)

(…)Fazer parte de um bando é um ato de interesse individual e não social. Em resumo, nada existe de altruísta no comportamento gregário ou social dos animais, salvo quando pertencem a grandes famílias.(…)

(…)Nos últimos anos, entretanto, a sombra de uma dúvida abalou a certeza com a qual alguns biólogos desfiavam esse argumento. Eles não questionam sua verdade central, mas julgam ter descoberto uma exceção a ela, uma espécie na qual se verificam as improváveis condições que permitiriam a grupos de cooperadores ter sobre grupos de indivíduos egoístas uma vantagem tão grande a ponto de levá-los à extinção antes de serem influenciados. A exceção é, naturalmente, o ser humano. O que faz os seres humanos serem diferentes é a cultura. Devido à prática humana de transmitir tradições, costumes, conhecimentos e crenças por informação direta, de pessoa para pessoa, há um tipo de evolução inteiramente novo acontecendo entre os seres humanos — uma competição não entre indivíduos ou grupos culturalmente diferentes. Uma pessoa pode prosperar em detrimento da outra não porque possui genes melhores, mas porque conhece ou acredita em algo de valor prático.

Rob Boyd é um dos responsáveis pela nova descoberta. (…) Seu interesse nasceu de um paradoxo. Jogos do dilema do prisioneiro conduzem a olho-por-olho. Mas seja qual for a conta que se faça, reciprocidade só produz cooperação em grupos muito pequenos de indivíduos. Aplica-se bem a morcegos hematógagos ou até a chimpanzés, que têm de manter um registro da generosidade prévia de dois ou três indivíduos. Mas seres humanos, mesmo em sociedades tribais, interagem com vintenas de indivíduos, às vezes centenas ou milhares. Ainda assim cooperam, mesmo em grupos grandes e difusos. Confiamos em estranhos, damos gorjetas a garçons que não voltaremos a ver, doamos sangue, obedecemos a regras e, de modo geral, cooperamos com pessoas das quais raramente esperamos receber favores. Ser esperto e egoísta é uma estratégia tão sensata e bem-sucedida num grande grupo onde as pessoas cooperam e retribuem, que parece incrível não ser maior o número das que fazem esta opção.

Sendo assim, opinam Boyd e Richerson, esqueçamos a reciprocidade e busquemos outras explicações para a cooperação entre os seres humanos. Suponha-se que ao longo da história grupos de cooperadores tivessem tido mais sucesso do que grupos de egoístas, e que aqueles que tivessem levado estes à extinção com feroz e freqüente eficiência. Isso tornaria mais importante para cada um de nós estar num grupo de indivíduos desprendidos do que ser egoísta. Daria certo desde que as diferenças entre os grupos persistissem, mas não daria certo, se, por intermédio dos casamentos internos, por exemplo, idéias egoístas se espalhassem dos grupos egoístas para cooperadores. Mesmo que a criatura em questão adquira a maioria dos seus hábitos culturalmente, e não por instinto, a conclusão ainda assim é válida.

Mas Boyd e Richerson descobriram, com suas simulações matemáticas, que um certo tipo de aprendizado cultural favorece a cooperação: o conformismo. Se as crianças aprendem não com os pais, nem com os erros que cometem, mas copiando a tradição ou a moda mais comum entre os adultos que lhes servem de modelo, e se os adultos seguem o padrão de comportamento mais comum da sociedade — se, em resumo, somos ovelhas culturais — continuará havendo cooperação em grupos muito grandes. O resultado disso é que a diferença entre um grupo cooperativo e um grupo egoísta agora poderá persistir tempo suficiente para que o último desapareça na competição com o primeiro. A seleção entre grupos talvez comece a ter tanta importância quanto a seleção de indivíduos.

O conformismo parece familiar? Acho que sim. É extremamente fácil convencer os seres humanos a seguir o caminho mais absurdo e perigoso, pela simples razão de que todo mundo segue. (…) Jingoísmo imperial, macarthismo, beatlemania, jeans desbotados, mesmo os absurdos do politicamente correto mostram como somos facilmente levados a obedecer a moda só porque é moda.

(…)Na evolução humana, portanto, os hábitos de especialização local de conformismo cultural, de feroz antagonismo entre grupos, de defesa em grupo e de grupismo andam juntos. Os grupos nos quais floresceu a cooperação foram os que prosperaram e, aos poucos, o hábito da cooperação passou a fazer parte da psique humana. Nas palavras de Boyd e Richerson, “a transmissão conformista finalmente explica, de modo convincente e empiricamente plausível, o que faz o homem diferir de todos os outros animais cooperando, contra seus interesses pessoais, com outros seres humanos com os quais não tem parentesco próximo.”

(…)Na década de 1950, um psicólogo alemão chamado Solomon Asch fez uma série de experiências para testar a tendência de as pessoas se conformarem por intimidação. O sujeito da experiência entrava numa sala onde havia nove cadeiras em semicírculo e era posto numa perto do fim. Outras oito pessoas chegavam, uma a uma, e ocupavam as cadeiras restantes. Sem que o sujeito soubesse, todos eram atores — cúmplices do autor da experiência. Asch então mostrava ao grupo dois cartões, um de cada vez. No primeiro havia uma linha; no segundo, três linhas de tamanhos diferentes. Perguntava-se a cada pessoa qual das três linhas tinha o tamanho da primeira. Nada muito difícil; a resposta era óbvia, porque havia uma diferença de cinco centímetros de uma linha para outra.

Mas o sujeito era o oitavo a responder, depois que os outros todos tinham dado sua opinião. E, para seu espanto, os outros sete tinham escolhido uma linha qualquer, sempre a mesma. A prova que seus sentidos lhe ofereciam constrastava com a opinião de sete pessoas. Em quem confiar? Em 12 ocasiões, de um total de 18, o sujeito seguia a multidão e escolhia a linha errada. Quando perguntados, mais tarde, se tinham sido influenciados pelas respostas dos outros, a maioria dos participantes do teste dizia que não. Não só se conformaram mas também mudaram, genuinamente, de opinião.

(…)Por que as pessoas seguem a moda local, no tempo e no espaço? Por que o tamanho das saias, os restaurantes mais freqëntados, as variedades de colheitas, os cantores pop, as notícias, as modas culinárias, os exercícios da moda, os pânicos ambientalistas, as corridas aos bancos, as desculpas psiquiátricas, e tudo mais, são tão tiranicamente semelhantes em qualquer tempo e lugar? Prozac, abuso de crianças com rituais satânicos, aeróbica, Power Rangers — de onde vêm essas manias? Por que o sistema de eleições primárias nos Estados Unidos funciona inteiramente com base na premissa de que as pessoas votarão em quem parece estar ganhando, de acordo com os resultados do pequeno estado de New Hampshire? Por que as pessoas são tão ovelhas?

(…)Hirshleifer e seus colegas propuseram o que chamam de informação em cascata. A pessoa que toma uma decisão — o tamanho da saia que vai usar, o filme que vai ver, por exemplo — pode levar em conta duas diferentes fontes de informação. Uma é o seu próprio julgamento independente; a segunda é o que outras pessoas escolheram. Se há uma unanimidade na escolha das outras, a pessoa pode ignorar sua própria opinião em favor da do rebanho. Não é bobagem nem sinal de fraqueza. Afinal, o comportamento alheio é uma importante fonte de informações acumuladas. Por que confiar no próprio e falho poder de julgamento quando se pode tomar a temperatura de milhares de outras opiniões? Um milhão de pessoas não pode se enganar com um filme, por mais pífio que pareça o enredo.

Além disso, há certas coisas, como a moda no vestir, nas quais decidir o que é certo significa, justamente, escolher o que os outros estão usando. Ao optar por um vestido, uma mulher não pergunta apenas se é bonito. Pergunta também se está na moda. Há, entre certos animais, um intrigante paralelo com nossos caprichos. Entre os galos e galinhas silvestres dos planaltos americanos, os machos se reúnem em grandes bandos chamados leks para competir pela oportunidade de fecundar as fêmeas. Dançam e se pavoneiam, exibindo peito inflado. Um ou dois machos, geralmente os que fazem sua apresentação mais perto do centro do lek, são, de longe, os mais bem-sucedidos. Dez por cento dos machos podem fazer 90% dos acasalamentos. Uma das razões disso é que as fêmeas são grandes imitadoras umas das outras. Um macho é atraente para as fêmeas simplesmente porque anda cercado de outras, como se pode demonstrar facilmente usando bonecos que fazem as vezes de fêmeas. Esse capricho significa que a escolha do macho pode ser bastante arbitrária, mas, para as fêmeas, nem por isso deixa de ser vital seguir a moda. QUalquer uma que se rebele e escolha um macho solitário terá, por toda a probabilidade, filhos que herdarão a incapacidade do pai de atrair multidões de fêmeas. A popularidade no jogo do acasalamento é, portanto, sua própria recompensa.

Voltando aos seres humanos. O problema de obedecer à informação em cascata é que um cego pode acabar guiando o outro. Se a maior parte das pessoas se deixa dominar por outras em seu julgamento, um milhão de pessoas podem estar erradas. Sustentar que uma idéia religiosa tem de ser verdadeira porque outras pessoas se deixaram convencer por ela há mil anos é um argumento falacioso; a maioria se deixou convencer porque outras pessoas que vieram antes fizeram o mesmo. De fato, uma das características das modas humanas, que só a teoria de Hirshleifer explica, é que elas são tão frágeis quanto espetaculares. Basta um fragmento de informação para que todo mundo abandone uma velha moda por uma nova. Nossos caprichos surgem, então, como uma tola característica, que nos joga de uma mania para outra ao sabor da informação em cascata.

Entretanto, num pequeno bando de caçadores-coletores, o hábito de obedecer à moda pode ter sido mais útil. Até certo ponto, a sociedade humana não é uma sociedade de indivíduos, como a dos leopardos ou mesmo a dos leões — apesar de os leões andarem em grupo. A sociedade humana é formada de grupos, superorganismos. A coesão de grupos obtida pelo conformismo é uma arma valiosa num mundo onde grupos precisam agir em conjunto para competir com outros grupos. O fato de a decisão ser talvez arbitrária é menos importante que ser unânime.

Idéia muito parecida ocorreu ao cientista de computação Herbert Simon. Ele sugeriu que nossos ancestrais se desenvolveram na medida em que foram socialmente “dóceis”, ou seja, abertos à influência social. Recorde-se a freqüência com que pregamos uns aos outros as virtudes do desprendimento. Se a seleção natural nos fez receptivos a essa doutrinação, é mais provável que participemos de grupos de sucesso se cedermos a nossas inclinações altruísticas. É mais fácil e quase sempre melhor, diz Simon, fazer o que os outros dizem do que descobrir, por conta própria, a melhor maneira de fazer qualquer coisa.”

(RIDLEY, Matt; As Origens da Virtude - Um estudo biológico da solidariedade - 1996. Excerto do capítulo 9 - A Origem da guerra)

bééééh
“bééééh”: comenta dona ovelha, sobre o texto acima.

[ postado às 01:12:32 ] - [ comente isto ]

Terça-feira, 7 de Dezembro de 2004
ninguém vive sem mentir

“(…)O engodo é componente tão central em nossas vidas que compreender melhor esse fenômeno é algo importante para quase todos os assuntos humanos”, sentencia Paul Ekman, diretor do Laboratório de Interação Humana, de San Francisco, e um dos pioneiros na pesquisa da mentira. A fim de aprofundar suas investigações sobre o assunto, neurocientistas reúnem pessoas para que digam inverdades em laboratório, enquanto eles medem a atividade nas diversas regiões cerebrais dos mentirosos. Psicólogos analisam a mímica facial e os gestos, em busca de sinais que denunciem a falácia; estudam também nossa capacidade de detectar mentiras e tentam estabelecer em que momento as crianças aprendem a contar suas primeiras lorotas.(…)

(…)Na opinião dos biólogos da evolução, foi a própria vida social, com suas hierarquias e tramas de relações, que primeiro trouxe ao mundo a mentira deslavada. O falseamento intencional só pôde desenvolver-se em grupos complexos. Até mesmo os chimpanzés, que vivem em bando, são mestres da dissimulação. Valendo-se de truques, engodos e fingimentos, eles lutam por posição hierárquica, comida e parceiros sexuais. E correm algum risco ao fazê-lo. Uma vez flagrada sua trapaça, o preço a pagar é a degradação social.

Quem não deseja ser constantemente enganado precisa ter a capacidade de descobrir com precisão artifícios e enganações alheios. Os antropólogos vêem precisamente na constante corrida entre desmascaramento e aperfeiçoamento da mentira a força motriz que, do ponto de vista filogenético, talvez tenha sido a responsável pelo desenvolvimento da inteligência social. É possível que ela tenha dado origem até mesmo à linguagem verbal. Especialistas mais empedernidos chegam a defender a tese de que o ser humano deve o aumento de seu cérebro à pressão evolucionária por uma capacidade cada vez mais refinada de enganar.(…)”

fabulosa reportagem da revista Viver Mente & Cérebro! vale a pena ler na íntegra.

[ aqui ]


como a mentira é humana, não?
cuidado com as fraudes, irmãos! =]

[ postado às 01:12:13 ] - [ comente isto ]

Sexta-feira, 3 de Dezembro de 2004
“É doce e honroso morrer pela pátria.”

em 1988, o Metallica lançou o seu quarto trabalho discográfico intitulado …And Justice For All. o disco marca um retorno triunfante da banda após a perda trágica do baixista Cliff Burton, morto em um acidente de ônibus numa das turnês da banda pela Europa. Jason Newsted assume o cargo deixado pelo falecido Cliff, e entra em estúdio com a banda juntamente com o produtor Flemming Rasmussen para compor este que é um dos álbuns mais ferozes do Metallica.

até aquela data, o Metallica contrariava a tendência que as bandas de heavy metal de meados dos ‘80 tinham em lançar videoclipes geralmente contendo mulheres de bikini, labaredas de fogo, cabelos compridos esvoaçantes e muito glitter. os integrantes admitiam ter asco desse “esquema-MTV” de aparecer na mídia, e esta seria a principal razão para a banda não ter lançado nenhum clipe na época.

em 1989 a coisa muda de figura. o single da música One é lançado, e o primeiro videoclipe é, finalmente, produzido. a temática “anti-belicista” já havia sido explorada anteriormente nas letras de James Hetfield (vide Disposable Heroes, do álbum Master of Puppets), e One seria a obra-prima máxima. eu considero uma das músicas mais lindas compostas para o formato bateria, baixo, guitarras distorcidas e voz, um thrash metal épico de sete minutos e meio, progredindo de melancólicos dedilhados limpos para um fim rápido, violento e bastante nervoso; é sem dúvida nenhuma a música que eu mais estimo da banda.

o videoclipe de One foi lançado em duas versões: “para MTV”, que tem boa parte da música simplesmente limada para poder adequá-la aos padrões MTV; e a integral.

quem já pôde ver a versão integral, percebeu que misturado às cenas com a banda tocando, há edições com cenas do filme Johnny vai à Guerra (Johnny Got His Gun, 1971), versão cinematográfica do livro homônimo do roteirista e escritor americano Dalton Trumbo. o livro/filme narra a angústia de um jovem soldado que teve o corpo despedaçado pela explosão de uma bomba durante a 1ª Guerra Mundial. sem poder andar nem se mexer (pois teve todos os membros amputados), e sem poder cheirar, saborear, ouvir e ver (pois perdeu toda a face), Joe Bonham fica reduzido a um simples pedaço de carne que pensa, o homem-morto-que-vive na escuridão, o resultado vivo e terrível da guerra.

foi justamente esta obra que serviu de inspiração para o Jaymz escrever a letra de One. faz muito tempo que vi o videoclipe, e desde a primeira vez queria muito entender da história de Johnny…. infelizmente, o filme está fora de catálogo no Brasil — pelo menos não encontrei qualquer registro de lançamento em VHS, o que dirá em DVD.

o livro foi escrito por Dalton Trumbo às vésperas de estourar a 2ª Grande Guerra, em 1939. tornou-se referência obrigatória para movimentos pacifistas de todo o mundo. deu diferentes significados a cada guerra que surgia, sendo reeditado diversas vezes, e se tornando um best-seller durante a Guerra da Coréia. recebeu o Prêmio Nacional da Literatura Americana, e mesmo assim era volta e meia perseguido por ser considerado um “tema inapropriado”.

no Brasil, Johnny Got His Gun foi ter sua primeira edição traduzida para o português somente em 1967, lançada pela editora Civilização Brasileira com o título Uma Arma para Johnny. pouco antes disso, em 1964, Trumbo já estava com o roteiro adaptado para uma versão cinematográfica. o escritor já tinha um trabalho notável como roteirista, tendo escrito Papillon, Exodus e Spartacus; conquistou o Oscar de melhor roteiro em 1956 por The Brave One, mas como havia assinado sob pseudônimo por ser perseguido pelo maccarthismo, foi recebê-lo somente em 1974, dois anos antes de falecer.

Trumbo decidiu por ele próprio dirigir o filme, que teve lançamento em 1971 e arrebatou o prêmio especial da crítica no Festival de Cannes. sem contar sequer com ajuda do estúdio para divulgar a película, o próprio diretor chegou a panfletar defronte a Cannes para que as pessoas fossem assistir sua obra. apesar do sucesso mundial, Johnny vai à Guerra foi exibido no Brasil somente dez anos após.

ano passado, o livro foi relançado no Brasil pela editora Relume Dumará, desta vez com o título de Johhny vai à Guerra. embora ele seja facilmente encontrado em livrarias por preços que variam de 30 a 40 reais, acabei tendo sorte de encontrá-lo em um balaio das Lojas Americanas por módicos dez reais! adquiri.

movido pela leitura, resolvi buscar pelo filme ripado de DVD em Div-x nos sistemas de compartilhamento. meu amigo Márcio conseguiu facilmente encontrar uma legenda em português brasileiro, e não precisou de muito trabalho para sincronizá-la com o filme.

pude vê-lo no sábado passado, e é inevitável traçar o paralelo entre filme e livro. o livro é todo do ponto de vista de Joe: suas lembranças, sonhos e sensações. já o filme consegue nos mostrar o que acontece ao redor de Joe, sabiamente reproduzido em preto-e-branco e com o seu pensamento “em voz alta”, enquanto que seus sonhos e lembranças são reproduzidos em colorido. as cenas do sonhos de Joe são verdadeiras precursoras de um gênero bizarro estilo David Lynch, com diálogos desconcertantes com Jesus Cristo e a curiosa parte da festa de natal, com o discurso repetitivo do chefe e a mulher negra procurando por seu filho… Jesus.

tanto o livro quanto o filme são maravilhosos e valem a pena investir-se tempo. uma história muito triste, perturbadora, porém conscientizadora e impressionante.

seguem os links para download no E-mule e para a legenda em português.

[ filme Johnny Got His Gun - 700MB ]

[ legenda ]


é. ler um romance volta e meia não faz mal a ninguém.

[ postado às 03:12:30 ] - [ comente isto ]


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